politica 12/03/2018 às 11:52

Implicada em CPI do Cachoeira, Veja tenta vingança atacando Álvaro Dias com fake news

Senador e pré-candidato à Presidência, Álvaro Dias foi um dos principais líderes em CPI que desvendou relações obscuras entre a revista e o notório contraventor.

Que a revista Veja vive uma espiral negativa, que parece levá-la para o fundo de um verdadeiro poço sem fundo de falta de credibilidade e leitores, já é um fenômeno reconhecido por todos que acompanham os meios jornalísticos. Se na era do PT no Governo Federal a Veja e o Grupo Abril pareciam ter uma linha editorial clara, nos últimos anos a revista se arrasta como zumbi, sem saber para onde apontar e em quem mirar. E aí fantasmas do passado voltam para assombrá-la, em sua quixotesca luta pela sobrevivência. E um destes fantasmas, talvez o principal, tem nome e sobrenome: o notório contraventor Carlinhos Cachoeira.

Em 2012, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi instalada para investigar as atividades do contraventor, que pareciam ter diversos tentáculos no cenário político. Foi a abertura de uma verdadeira Caixa de Pandora. Descobriu-se que Cachoeira tinha contatos dentro do Senado da República, entre seus servidores, que espionava Senadores (como o hoje Governador de Goiás, Marconi Perillo) e que tinha uma relação íntima, quase carnal com a sucursal da Veja em Brasília. Boa parte das bombas que Veja estourava, à época, vinha diretamente do esquema de espionagem liderado pelo contraventor. 

No auge da CPMI, cogitou-se inclusive convocar o Presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, para depor em Brasília e ao menos tentar explicar as relações pouco recomendáveis entre seu grupo e um criminoso já condenado. Na mesma CPMI, que só foi tão longe com a incansável atuação do senador Álvaro Dias, que chegou a apresentar relatório paralelo, descobriram-se as relações entre Cachoeira e a empreiteira Delta. A mesma que levou ao fim do grupo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

Eis que passados seis anos de toda esta história, Veja resolve dar o troco na corajosa atuação de Dias naquela CPMI. E desenterra um inquérito no Rio de Janeiro, em que Samir Assad, um dos principais empresários que Dias denunciou na CPMI, afirma que pagou R$ 5 milhões em propina para o Senador. Se pagou, é das maiores patetices da história: pagou para ser exposto por Álvaro Dias e ser um dos principais implicados no relatório paralelo que o Senador apresentou na época.

A RELAÇÃO DO GRUPO ABRIL COM O PSDB DE SÃO PAULO

Além do notório viés de vingança pela atuação na CPMI, é preciso considerar também a relação íntima que o Grupo Abril desfruta com o PSDB de São Paulo. As contas do Grupo tem fechado basicamente com o despejo de muitos milhões do governo do estado, seja em verbas publicitárias nas revistas, seja na compra de material didático através da Editora Abril.  

Só em 2012, pra se ter uma ideia, foram mais de R$ 9 milhões investidos pelo governo de São Paulo na compra de Revistas. Não é preciso dizer que a principal beneficiada foi a Veja. No mesmo ano, o mesmo governo de São Paulo realizou a compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, do mesmo Grupo Abril que publica Veja. Valor das assinaturas: R$ 3,7 milhões anuais. 

Em levantamento considerando o período entre 2000 e 2010, o governo de São Paulo, sempre sob o comando do PSDB, gastou mais de R$ 250 milhões para comprar milhares de exemplares de diferentes publicações. O Grupo Abril, entre Editora e Fundação Victor Civita, ficou com inacreditáveis R$ 52.014.101,20.

Todo este investimento e a relação que o Grupo Abril dispõe com o PSDB de São Paulo ajudam, também, a explicar o ataque sofrido por Álvaro Dias, justamente na abertura da janela partidária. Dias já filiou o deputado federal campeão de votos em São Paulo, Marcos Feliciano, que pode vir a ser seu candidato a Senador em São Paulo. Sua articulação no estado não para por aí: ele tem negociado com o vice-governador Márcio França (PSB) para participar de seu palanque eleitoral no estado. França era o candidato de Alckmin à sua própria sucessão, mas acabou traído pelo PSDB paulista, que lançará o prefeito João Dória na disputa. 

Em meio à toda esta articulação, Dias tem aparecido bem em pesquisas realizadas em São Paulo. E pelos cruzamentos, o que se nota é que ele tira eleitores diretamente de Geraldo Alckmin. Um Alckmin que patina em todas as pesquisas, aparecendo no limite em empate técnico com o próprio Álvaro Dias.

A RESPOSTA OFICIAL DE ÁLVARO DIAS:

Em seu Facebook, Álvaro Dias publicou sua resposta oficial, partindo para o contraataque e mostrando que está bastante tranqüilo diante da investida da Veja. Ele rebate ponto por ponto da acusação, não deixando pedra sobre pedra do ataque baseado em fake-news.

Confira: 

"Em respeito aos amigos e apoiadores, esclarecemos sobre a nota publicada pela Veja:

O senador Alvaro Dias afirma com toda a segurança tratar-se de armação política e vingança pelo comportamento dele durante e depois da CPI do Cachoeira. "É uma tentativa de atingir o meu patrimônio maior - a honra - e desautorizar o discurso que é o meu maior trunfo na campanha eleitoral: o combate à corrupção. Vou identificar os responsáveis por essa insinuação maldosa para interpelá-los judicialmente", disse.

O senador não conhece Samir Assad, o empresário que, em fato inédito, usa no email revelado pela Veja um codinome identificando o nome entre parênteses. O email é do mês de junho de 2012 mas, em outubro do mesmo ano, Alvaro Dias usou a tribuna para pedir a prorrogação da CPI por 180 dias.

Alvaro Dias foi um dos membros mais atuantes na CPI do Cachoeira. Como líder da oposição, apresentou centenas de requerimentos convocando os principais suspeitos de envolvimento com o esquema de Carlinhos Cachoeira junto a empreiteiras e órgãos públicos, cobrando quebras de sigilo e investigação do COAF sobre contas usadas para desvio de dinheiro no Brasil e no exterior. A assessoria técnica do senador, em trabalho paralelo ao da CPI, identificou 18 empresas alimentadas pelo esquema Cachoeira, nas quais foram movimentados R$ 421 milhões de recursos ilícitos. Outras 42 empresas movimentaram R$ 312 milhões, mostrando que empresas laranjas foram criadas para ocultação e lavagem de dinheiro. As informações foram inseridas em um voto em separado e, ao final dos trabalhos da CPI, o documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal e Receita Federal.

As informações constam nos links http://bit.ly/2HmIsrP ;http://bit.ly/2FIgud5 ; http://bit.ly/2FxAKLd;http://bit.ly/2FKTDxkhttp://bit.ly/2p2RGSw

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