politica 06/03/2018 às 13:09

De onde vem a força de Bolsonaro?

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

De onde vem a força de Jair Messias Bolsonaro? Da histeria. Não, não é da histeria dos minions. É da histeria da neo-esquerda identitária, que trocou o conceito marxista de classes pela defesa de uma miríade infinita de "minorias".

A força de Bolsonaro vem dos histéricos e histéricas que transformaram qualquer atitude masculina em machismo. Que dizem que cavalheirismo é porta de entrada para relacionamentos abusivos.

A força de Bolsonaro vem dos histéricos e histéricas que decidiram que não existe mais gênero, seja masculino, seja feminino. Que o que importa é como você se sente e não o que a natureza diz.

A força de Bolsonaro vem de quem faz "arte" ofensiva o tempo inteiro, que expõe uma criança a tocar num homem nu para "quebrar paradigmas".

A força de Bolsonaro vem dos histéricos que acham que armas de fogo disparam sozinhas. E que podem decidir quem tem ou não o direito à auto-defesa.

O cidadão-médio encheu o saco. O cidadão-médio não precisa entender nada de economia, política e história, pra saber que tudo isso é conversa de maluco.

A cidadã-média sente falta do cavalheirismo e não tá nem um pouco a fim de substituí-lo pela emasculação dos companheiros.

O cidadão e a cidadã médios, sabem que meninos e meninas existem no mundo real. Que isso não é questão de "escolha" ou "construção social".

O cidadão e a cidadã médios não consideram que cagar em cima do cartaz de um político seja uma forma de protesto ou "arte contemporânea". E também acham que é uma pouca vergonha que deveria ser punida expor uma criança a um homem completamente nu.

O cidadão e a cidadã médios já entenderam que armas não matam: pessoas matam. E que campanhas do desarmamento só tiram as armas das mãos dele mesmo, sua família e seus amigos. Afinal, se bandidos respeitassem leis eles não seriam bandidos, né?

É por isso que as desconstruções clássicas não tem funcionado contra Bolsonaro. Eu mesmo, que combato a militância bolsonarete há um tempão, tenho percebido isso na prática.

Não adianta mostrar que Bolsonaro é uma contradição ambulante, que seus projetos de lei são verdadeiras aberrações, que em 20 anos no Congresso ele não produziu nada que preste ou que emprega a família inteira no Congresso.

Para o cidadão e a cidadã médios, não é isso que está em pauta. O que está em pauta é uma ampla rebelião do senso-comum contra uma Revolução Cultural que tentam lhe empurrar goela abaixo. Bolsonaro, para estas pessoas, é o botãozinho do foda-se no politicamente correto, na política tradicional que o abrigou e na espiral de silêncio em que ele próprio, cidadão-médio, foi lançado.

Vem daí a resiliência da candidatura de Bolsonaro. O voto nele não será alterado pela política tradicional com táticas convencionais. Talvez (é uma sugestão, sem dispor de pesquisas em profundidade), a única chance de desconstruí-lo seria provar que ele é mais do mesmo.

Nesta altura do jogo, uma tarefa hercúlea.

Podemos estar caminhando prum repeteco de 1989. Collor sofreu um brutal tombo nas pesquisas na véspera do primeiro turno. De 45% veio pra 28%. Mas era tarde demais. Ele foi para o segundo. E na disputa contra um Lula que gerava medo nas classes médias, conseguiu vencer, ainda que por um fio de cabelo.

O resultado é conhecido. Seu governo foi um desastre e desde 1994 não temos um candidato de centro-direita que seja com um mínimo de competitividade. É a herança do desastre collorido.

Eu, assim como muitos bons analistas, cri que a onda Bolsonaro esvaziaria naturalmente. Já está claro que não vai. Pelo próprio comportamento de Bolsonaro, sempre me pareceu muito claro que ele nunca desejou a Presidência da República. Mas as condições objetivas o estão empurrando para um caminho sem volta.

Apostar que um eventual segundo turno o impeça de chegar na Presidência, assim como aconteceu com Le Pen na França, é contar demais com a sorte.

O limite para os grupos moderados e com algum bom senso na cabeça sentarem, conversarem e construírem uma candidatura competitiva, além de encontrarem uma fórmula que funcione para a desconstrução do bolsonarismo, está chegando rapidamente.

Depois não adianta reclamar.

Faltando uma semana pra eleição Presidencial na Venezuela em 1998, os dois partidos mais tradicionais do país, Copei e AD tentaram uma aliança desesperada para impedir Chávez de vencer.

Era tarde demais. Não dava mais tempo de reverter o cenário.

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