politica 06/03/2018 às 10:36

Marina Silva: réquiem para uma ex-futura Presidente

Presidenciável vê seu partido perder deputados, deve ficar fora de debates nas eleições deste ano e derrete nas pesquisas.

Marina Silva despontou em 2010 como uma potencial sucessora de uma esquerda pós-Lula e PT. Em uma surpreendente campanha com o nanico PV, Marina foi a 20 milhões de votos, mobilizando setores tanto à direita quanto a esquerda. Mal terminava a apuração e já se vislumbrava na líder ambientalista uma potencial candidata em 2014. Mas eis que a síndrome de avestruz começava a fazer com que a própria Marina colocasse água em seu chopp.

No intervalo entre 2010 e 2014, praticamente não se ouviu mais falar de Marina. Muito de vez em quando, alguma notícia chegava: primeiro foi a ruptura com o Partido Verde, que havia lhe cedido a legenda para a disputa Presidencial. Depois, a tentativa mal organizada e coordenada de fundar seu próprio partido, a Rede. Já nas vésperas do pleito, a notícia surpreendente: a mulher que havia conquistado mais de 20 milhões de eleitores nas eleições de 2010, não havia conseguido mobilizar 500 mil assinaturas para fundar seu partido.

Como alternativa, Marina topou ser vice de Eduardo Campos e filiar-se ao PSB. A tragédia que abateu Campos em plena campanha guindou-a ao posto de candidata Presidencial, mais uma vez. Se no início, impulsionada pela solidariedade e pela comoção provocadas pelo acidente, Marina chegou a aparecer liderando a corrida Presidencial, viu sua falta de estrutura e articulação fazerem-na derreter. E acabou fora até mesmo do segundo turno.

Depois das eleições, Marina finalmente conseguiu oficializar a Rede. Mas seu comportamento continuado de avestruz, desaparecendo assim que a apuração de votos terminou, foi decisivo para o partido não ter um mínimo de solidez. E então os bate-bocas internos começaram, justo num partido minúsculo e sem grande expressão. E a Porta-Voz (porque o partido de Marina não tem Presidente), sequer aparecia para arbitrar. 

O resultado de tanta falta de habilidade política aparece agora, às vésperas de uma nova eleição e justo quando Marina pensa em tirar a cabeça do buraco no qual ficou escondida nos últimos quatro anos. Em julho de 2016, ela tinha 17% no Datafolha, em dezembro, caiu para 15% e em maio de 2017, foi para 14%. Em outubro, para 13% e em dezembro, 10%. Em janeiro deste ano, caiu para 8%. Neste intervalo, viu o fenômeno Bolsonaro se consolidar, novidades como João Amoêdo do Novo surgirem e o espaço para sua pregação mudancista ficar cada vez mais restrito.

Marina é a prova viva de que em política não basta popularidade e plasmar o sentimento da mudança: é preciso organização e trabalho permanente. Sem isso, não há projeto político que sobreviva no longo prazo. 

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