politica 01/03/2018 às 10:38

Contra aventureiros, Álvaro Dias defende experiência administrativa na eleição de outubro

Em longa entrevista para jornal paranaense, Senador aponta a inexistência de partidos e a busca por soluções fora da política como graves problemas nacionais.

O Pitoco, jornal tradicional de Cascavel - oeste do Paraná, fez uma longa entrevista com o senador Alvaro Dias sobre a pré-candidatura à presidência da República. Foi praticamente uma "Páginas Amarelas" da revista Veja. Dias, único governador da história do Paraná a abrir mão da aposentadoria pelo cargo, falou de tudo um pouco: da inexistência de partidos sólidos no Brasil, dos outsiders que tentam furar a fila se apresentando como "o novo" na política, até a existência da figura do aventureiro, o “herói do sertão que irá resolver tudo a bala”. O Sul Connection destaca alguns trechos.

PARTIDOS

"Não existem partidos no Brasil, existem siglas usadas para registro de candidaturas e para receber o fundo partidário, que é dinheiro dos impostos pagos pela população. Sou um contestador da velha política a vida inteira, por isso mudei várias vezes de sigla, não de partido. Não encontrei até hoje um partido de fato. Hoje estou em um movimento, o Podemos. Um dia pode se tornar um partido, mas para isso é preciso fazer a reforma política. Somos reféns deste sistema".

REFUNDAÇÃO DA REPÚBLICA E FIM DOS PRIVILÉGIOS

"Falo, inspirado no gaúcho Olivio Braga, da refundação da República. Uma ampla reforma do Poder Executivo, estendida para o Judiciá- rio e o Legislativo, com o fi m dos privilégios, do foro privilegiado, das aposentadorias especiais. Enfi m, uma completa reforma no sistema federativo. O brasileiro trabalha seis meses por ano para pagar os custos do governo. Mas quem pode enfrentar esse problema? Você já abriu mão dos seus quando fala em eliminar privilégios? Para combater privilégios do vizinho tenho que abrir mão dos meus".

A MENOR REJEIÇÃO

"Estou muito feliz com as pesquisas eleitorais, elas até superam minhas perspectivas para este momento de pré-campanha. O que vale neste momento é a rejeição, pois diz respeito ao passado e ao presente. A minha é a menor rejeição entre todos. Até o outsider (Luciano Huck) é mais rejeitado que eu, com 27% . Tenho apenas 13% de rejeição. É uma glória em um cenário com todos desacreditados e a política no chão. Só tenho que agradecer".

BOLSONARO: UM AVENTUREIRO

"Em tempos de terra arrasada, surgem os sujeitos aventureiros. É preciso alertar a sociedade. Vivemos um momento político e econômico delicado. Somente em 2022 vamos recuperar a renda per capita que tínhamos até alguns anos atrás. Isso pede um administrador experiente, de passado limpo. Do contrário surgirá o aventureiro das sombras, o herói do sertão, o valentão querendo resolver tudo na bala..."

BOLSONARO: ALÉM DE AVENTUREIRO, DESPREPARADO

"Alguém apareceu aqui no Show Rural, vindo de longe, e mostrou que desconhece nossa agricultura. Em breve a Índia importará alimentos do Brasil tanto quanto a China. O mundo precisa 60% a mais de produção até 2050. O planeta espera que 40% deste acréscimo venham do Brasil. Este tipo de político é muito urbano. Não sabe distinguir azeitona de mamona. Precisa colocar os pés descalços no chão do interior do País para entender esta conta".

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