economia 28/02/2018 às 10:34

Estatismo petista segue produzindo danos no crédito

Em coluna na Folha de São Paulo, Vinícius Torres Freire aponta tragédia da intervenção grotesca no mercado feita via BNDES, Caixa e bancos estatais.

Inflação nas nuvens, recessão e desemprego já são frutos bem conhecidos das desastrosas políticas econômicas "desenvolvimentistas" implantas por Lula em seu segundo mandato e por Dilma em seus dois mandatos. Entretanto, um dado ainda não havia sido exposto devidamente: o do desastre gerado pelas mesmas políticas na questão do crédito. Foi justamente o quê fez em sua coluna de hoje na Folha o jornalista Vinícius Torres Freire. Em meio à uma excelente análise sobre os juros abusivos praticados no mercado de crédito brasileiro, Freire chama a atenção para um dado: o tamanho da distorção provocada no mercado pela intervenção abusiva na concessão de créditos por bancos estatais.

Na metade de 2008, quando Lula dá a guinada estatizante em sua política econômica, o crédito concedido por bancos públicos equivalia à cerca de 13% do PIB. Já a participação dos bancos privados era de cerca de 24%. Em março de 2014, seis anos após a decisão de gastar rios de dinheiro criando "campeões nacionais" como o grupo EBX de Eike Batista e a holding J&F dos irmãos Joesley e Wesley, a participação dos bancos estatais tinha dobrado: já era de 26% em relação ao PIB. A participação dos bancos privados seguia na mesma. 

Para se ter uma ideia, o crescimento do crédito estatal equivaleu à criação de um banco do tamanho de Itaú ou Bradesco. E tudo isso, vale lembrar, com juros muito abaixo dos praticados pelo mercado. Outro dado importante para se ter em mente: quem pagou a conta fomos nós, os pagadores de impostos. Não existe almoço grátis. Como o governo não produz nada, quem pagou a conta fomos eu e você.

Esta distorção explica o porquê dos bancos não terem ampliado o crédito. O porquê dos famigerado spread bancário seguir na estratosfera. Sem condições de concorrer no mercado dos grandes empréstimos, tomado de assalto com dinheiro público pelos governos petistas, os bancos trataram de auferir seus lucros nos consumidores comuns: em cartão de crédito, em pequenos empréstimos, nos financiamentos imobiliários e de veículos.

A situação vem sendo revertida desde o ano passado. A partir da gestão de Henrique Meirelles na Fazenda e com a decidida autonomia recebida do Presidente Temer, a equipe econômica vem diminuindo muito a presença do BNDES, da Caixa e do Banco do Brasil na economia nacional.

Entretanto, se estatizar é fácil e rápido, tornar a economia novamente saudável e conter os danos leva tempo.

É bom levar isso em consideração na hora de votar em outubro. 

Candidatos com viés estatista e que creem em soluções mágicas via governo podem, em poucos anos, inviabilizar um país por várias décadas.

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