politica 27/02/2018 às 17:49 - Atualizado em 27/02/2018 às 17:54

Checagem de notícias? Agência pratica fake news para atacar Álvaro Dias e defender foro privilegiado

Site Aos Dados nega informações que ele próprio levantou apenas para atacar pré-candidato Presidencial.

Álvaro Dias (Podemos-PR) é pré-candidato à Presidência da República e tem levantado duas grandes bandeiras: um maior investimento em educação, comparativamente ao que é gasto no Sistema Penitenciário e o fim imediato do Foro Privilegiado. Na questão do Foro, Dias apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (a PEC 10/2013) que vai neste sentido. Supostamente um site de fact-checking (checagem de notícias), o portal Aos Dados resolveu tentar desconstruir os argumentos que o Senador tem utilizado na defesa destas bandeiras. No fim, o que descobrimos é que uma equipe gigantesca trabalhando na checagem de dados conseguiu pura e simplesmente produzir uma fake news.

GASTOS NO SISTEMA PRISIONAL - Chega a ser engraçado: a matéria do próprio site se desmente. Se na manchete e na linha de apoio ela afirma que os números de Dias estão errados, em seguida ela apenas reforça o argumento do Senador: gasta-se mais com presos do que com estudantes. Na declaração de Álvaro Dias, um preso custaria R$ 2,4 mil por mês, enquanto um estudante teria um custo de R$ 2,2 mil. O Senador baseou sua declaração em uma manifestação anterior, da Presidente do STF, Carmen Lúcia, sobre o mesmo tema. A realidade é ainda mais cruel: na verdade, presos custam R$ 4.600,00 por mês, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Justiça. Isso sem considerar gastos com pessoal. 

FORO PRIVILEGIADO - Aqui o site aposta na descontextualização para tentar defender o Foro, algo que a imensa maioria da sociedade tem repudiado. Segundo "levantamento", são ao menos 20 países a possuir algum tipo de proteção aos seus parlamentares. O quê Aos Dados não diz é que tal proteção nem de longe se parece com o foro privilegiado brasileiro. Exceto, é claro, no modelo chinês, que os membros do site parecem desconhecer se tratar duma ditadura de partido único.

NOVA FRENTE NA BATALHA POLÍTICA

Os famigerados sites de fact-checkin serão cada vez mais uma nova frente de batalha política. Eles passaram a ganhar popularidade e contar com amplo apoio de empresas jornalísticas tradicionais após as eleições nos Estados Unidos. Inconformados com a derrota de sua candidata, Hillary Clinton, os grandes veículos de comunicação passaram a acusar uma suposta mega-operação de fake news (notícias falsas) de ser a responsável pela eleição de Trump.

Foi a partir disso que surgiu a brilhante ideia: já que as antigas empresas não tem mais credibilidade alguma, dado seu histórico de alinhamento a candidatos, o negócio era criar supostos sites isentos que realizassem a "checagem" sobre a veracidade das informações usadas em notícias. Desta forma, sites supostamente "neutros" serviriam como os novos "guardiões da Verdade". Entretanto, basta olhar para quem banca tais sites para que a realidade se imponha.

Aos Dados, por exemplo, tem como "parceiros" o Grupo UOL (dono da Folha de São Paulo), o site The Intercept Brazil, tocado pelo ultra-esquerdista jornalista Glenn Greenwald, correspondente do jornal britânico The Guardian, além dos sites Volt Data Lab e The Brazilian Report (este financiado pela gigante Colgate-Palmolive, além das embaixadas da Austrália e da Índia). 

Eles até tentam disfarçar: na página sobre como se financiam, juram que tudo é feito através de doações espontâneas. Uma lista de doadores é apresentado. Deve ser o caso mais bem-sucedido de crowdfunding jornalístico do planeta, já que sustenta uma equipe com nove membros entre jornalistas, especialistas em informática e responsáveis pela parte comercial. 


A eleição de 2018 já começou nos bastidores. E promete muitas emoções nos mais variados fronts até sua apuração final em outubro. 

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