politica 02/02/2018 às 13:00 - Atualizado em 05/02/2018 às 12:01

Atuação de Oldman como Churchill praticamente garante o Oscar

O Oscar de ator é barbada – provavelmente a estatueta já foi gravada com o nome de Oldman. Mas o mais impressionante mesmo foi como ele gravou, em celuloide, uma interpretação inacreditável, e que já se consagra como uma das definitivas do cinema moderno.

Joe Wright é um cara esperto. Tendo em mãos um roteiro que privilegiava texto e interpretações, em detrimento da ação e da adrenalina (elas até aparecem, mas como ligeiro pano de fundo, costurando os trechos – afinal, estamos falando de um filme de guerra), e percebendo que os diálogos seriam o alicerce do filme, moldando retratos de personalidades historicamente fortíssimas, ele preferiu dirigir o filme trabalhando os pontos frágeis delas.

Não é pouca coisa pegar uma personagem gigantesca e caudalosa como Winston Churchill – cercado de figuras igualmente de peso, como Neville Chamberlain, Lord Halifax e o próprio rei George VI – e mostrar de perto como suas fraquezas, inseguranças e hesitações foram o que no fim das contas determinou a solidez de suas polêmicas decisões e os próprios rumos da guerra.

Esqueça a perfeitíssima maquiagem que transformou Gary Oldman em Churchill. Esqueça o peculiar tom de voz e o sotaque eduardiano de Gary Oldman, assombrosamente iguais aos de Churchill. Isso tudo é recurso técnico, que encanta mas não necessariamente convence. Atente isso sim pra interpretação de Gary Oldman, segurando closes dificílimos e transmitindo com propriedade estarrecedora todos os receios, fragilidades e vacilos de um estadista que não podia se dar ao luxo de expressá-los. Mas que passou por cada um deles, como um homem comum, preso num xadrez onde qualquer movimento – qualquer um – levaria ao caos. E que dependeu desse fator humano, falho, imperfeito, contraditório, pra atravessar a crise, conseguir escancarar um NÃO às tentativas de acordo com Hitler e finalmente levar a Inglaterra à vitória.

O Oscar de ator é barbada – provavelmente a estatueta já foi gravada com o nome de Oldman. Mas o mais impressionante mesmo foi como ele gravou, em celuloide, uma interpretação inacreditável, e que já se consagra como uma das definitivas do cinema moderno.

O texto é de autoria de Nelson Moraes..

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