politica 16/01/2018 às 14:27

Gustavo Nogy detona Bolsonaro: 'Ele não admite ser questionado'

O autor conservador detonou o deputado que acha bonito dizer que gastou dinheiro público com prostitutas.

Gustavo Nogy, conhecido conservador e ex-aluno de Olavo de Carvalho, detonou a atitude grotesca de Jair Bolsonaro em sua última entrevista para a Folha. O autor, em texto para a Gazeta do Povo, apresentou o óbvio. Ou seja, ele deixou claro que a atitude do deputado é de longe um problema para ele próprio e para aqueles que contraditoriamente o defendem ao mesmo tempo em que fazem discursinhos moralistas.

Abaixo, alguns trechos do artigo:

Paulo Francis disse que a melhor propaganda anticomunista é deixar um comunista falar. A boutade não se aplica somente a comunistas, mas a ideólogos de todos os tipos, a bichos de todas as florestas, no inusitado ecossistema político nacional. Jair Bolsonaro é um deles.

O tipo acabado de matuto intelectual que se aproveitou do antipetismo para se dizer conservador, liberal ou o que seus fiéis queiram que ele jure ser na undécima hora. Se ele disser que faz chover, dançam. O mal do petismo, para além do petismo propriamente dito, é esse: produzir, como efeito colateral, adversários siameses. Tubinambás políticos de fazer medo em Hans Staden.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Bolsonaro enfileira as respostas evasivas e grosseiras de costume, para alegria dos súditos. Tudo o que Dilma fazia, que era responder nada com nada da forma mais agressiva possível, Bolsonaro faz. Dilma não podia fazer, Bolsonaro pode.

Questionado sobre o auxílio-moradia, ele responde que, solteiro,  usava o dinheiro “para comer gente”. E, armado como sói, arremata: "Essa é a resposta que você merece".

Mais adiante, Nogy também disse:

A entrevista toda é bastante, digamos, instrutiva. Militantes se apressaram em fazer o que militantes fazem: justificar o injustificável. Bolsonaro teria sido “irônico”: ele não usou dinheiro com prostitutas ou namoradinhas de ocasião, mas essa é a resposta que a jornalista merecia. Outros ainda, tomando a fala como verdadeira, correram a dizer que o que faz o político com o dinheiro que recebe é da conta dele, não nossa. Prestar contas virou moralismo. Espantar-se com isso é moralismo barato.

Curioso: muito do que fundamenta a campanha de Jair Bolsonaro é precisamente o moralismo barato. O moralismo infeccioso que toma conta da política e transforma indivíduos chinfrins em epígonos da moralidade, dos bons costumes, do espírito republicano.

E mais:

Bolsonaro ter usado o dinheiro público com o nobre objetivo de “comer gente” importa menos que o fato de, afinal, ter usado dinheiro público para diversão privada – tenha comido gente ou picanha. Que tenha usado o dinheiro público sem precisar dele. Que, tido e havido como esperança de renovação política, admita práticas que dariam orgulho à família Sarney.

Porém, não apenas isso. Bolsonaro dizer o que disse não importa somente porque usou dinheiro público com festinhas privadas, ou porque usou o dinheiro com o que quer que fosse, sem precisar dele. Também importa que Bolsonaro seja incapaz de responder, de falar, de argumentar como quem se quer presidente.

E por fim, arremata:

Ele não admite ser questionado, inquirido, comentado. Toda entrevista é uma batalha, toda discussão é uma guerra. Jair Bolsonaro lembra aqueles veteranos que perderam a perna e sentem dores cruciantes na perna que já não têm. A diferença é que Bolsonaro não foi para guerra e não sente dor nenhuma na perna que não perdeu. Para ele, a jornalista da Folha merecia aquela resposta porque toda pergunta merece esse tipo de resposta. Resta saber se, depois de tantos anos de mistificação petista, Jair Bolsonaro é a resposta que nós merecemos.

Como se pode ver, o texto é absolutamente realista.

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