politica 09/01/2018 às 14:22

Luciano Huck usa truque barato para dizer que não é "nem de esquerda e nem de direita"

O apresentador, que é de esquerda, jura que não acredita nisso de "esquerda e direita", embora defenda as pautas de um lado e só rechace as do outro.

"Não sou de esquerda e nem de direita, muito pelo contrário", é o que dizem todos os isentões de Facebook que na realidade se alinham claramente à esquerda. É óbvio que no atual momento isso é feito por motivos muito simples, dentre eles o fato de que a esquerda e seus ideais estão em um momento histórico complicado. A maioria das pessoas já está saturada disso, então é difícil para algum comunista se assumir comunista porque ele sabe que há rejeição.

Luciano Huck pode até não ser comunista, mas com toda certeza é de esquerda. Ele defende pautas esquerdistas como desarmamento civil, financiamento estatal para a "cultura", intervenção governamental na economia, etc. Mesmo assim, no programa do Faustão, ele disse que “não acredita em esquerda e direita”, apenas em “pessoas de bem” e “boas ideias”.

Se isso é verdade, por que não vemos o apresentador defender o fim do desarmamento? Por que não o vemos defendendo a redução do Estado, uma pauta claramente válida em um contexto no qual o governo simplesmente destruiu a economia? Não o vemos fazer isso porque para ele quem defende isso não é pessoa de bem, e ele também não acha que isso seja uma boa ideia. Esta é a questão.

Dizer que acredita em "pessoas de bem" e "boas ideias" mas defender somente um lado do espectro deixa claro que para ele somente a esquerda é do bem, e ele tem o direito de achar isso, mas não tem o direito de tentar fazer o povo de idiota. 

Lula, quando ganhou pela primeira vez em 2002, também negava ser comunista. Até Fidel Castro negou ser comunista antes de dar a investida contra Batista porque queria o apoio do governo americano. Negar ser de esquerda é prática comum entre aqueles que realmente são. Se você perguntar ao Marcelo Freixo por que ele apoia o socialismo, ele também irá negar, ainda que esteja em um partido socialista que foi criado por achar que faltou socialismo no governo petista.

O Instituto Liberal de São Paulo foi certeiro neste sentido:

As coisas têm nomes. Uma faca é uma faca. Uma faca não é garfo ou colher. Facas servem para umas coisas. Garfos e colheres para outras. Por isso têm nomes diferentes. Cada doença tem seu próprio nome simplesmente porque cada uma tem causa e efeitos próprios.

As pessoas têm nomes. Elas são registradas com nomes diferentes para identificar a origem parental e para cada uma delas ser reconhecida de forma distinta na sociedade, afinal, elas são diferentes umas das outras.

Ideias também têm nomes. O nazismo alemão, o fascismo italiano e o socialismo soviético, chinês, cubano e norte coreano compartilharam as mesmas ideias de concentração de poder no estado e de combate aos direitos individuais, porém, ganharam nomes diferentes porque tiveram justificativas e procedimentos distintos.

Esquerda, direita, liberais e libertários são coisas diferentes e assim devem ser vistos.

O discurso de Huck é simples, ele visa evitar uma análise histórica. Se ele admitir ser esquerdista, será fácil vincular sua imagem aos massacres, à bancarrota econômica de diversos países, ao holocausto e a tudo o que de ruim e desumado a esquerda já fez no mundo todo. Enquanto ele nega, fica parecendo um bom samaritano cheio de pureza e boas intenções.

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