politica 04/01/2018 às 12:59

O Globo faz editorial contra a candidatura de Meirelles e é desmentido pelo próprio jornal

Enquanto na opinião dos Marinho a candidatura do Ministro da Fazenda era um desastre, página de economia mostrava otimismo do mercado com a mesma candidatura.

Não tá fácil a vida do velho jornalismo tradicional. Isso ficou claro nesta quinta-feira, mero quarto dia do ano. Enquanto na sessão de editorial o veículo dos Marinho (agora não mais comandado por eles) disparava que a candidatura de Meirelles "prestava um desserviço", explicando nos mínimos detalhes porque Meirelles simplesmente deveria desistir da sua postulação, o próprio jornal tratava de mostrar justamente o contrário. Na sessão de economia, matéria assinada pela redação traz o seguinte título: "Otimismo com cenário político faz Ibovespa subir 1,1%".

Já no primeiro parágrafo, os analistas da corretora Coinvalores, ouvido pela reportagem, tratou de sepultar o esdrúxulo editorial da família Marinho com uma única frase. "O fortalecimento de uma possível candidatura de Henrique Meirelles agrada", decretaram profissionais que movimentam vultosas somas diariamente no mercado financeiro. É o tipo de profissional que não pode se dar ao luxo de palpitar para agradar ao próprio ego, já que tem clientes para quem prestar contas. E palpites furados no mercado financeiro costumam custar muito dinheiro.

Chega a ser engraçado. Ano passado, a emissora dos Marinho e todo o Grupo Globo mergulho de cabeça numa cruzada santa para derrubar Michel Temer a qualquer custo. Um de seus blogueiros, Lauro Jardim, anunciou que no áudio armado por Joesley Batista o Presidente da República apareceria solicitando a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Quando o áudio veio à público, constatou-se que era uma total forçação de barra de Jardim. Não satisfeito, Ricardo Noblat, outro blogueiro do Grupo Globo, cravou a renúncia de Temer.

 

Temer não renunciou. Mas João Roberto Marinho, então Presidente do Grupo Globo, viu-se na contingência de renunciar. Em seu lugar assumiu o executivo Jorge Nóbrega, quebrando uma tradição quase centenária do Grupo na manutenção do comando familiar.

Onde quer que esteja, o saudoso Dr. Roberto Marinho deve estar dando pulos de raiva da condução desastrada de seus filhos.

Enquanto isso, os adversários do Grupo gargalham, assistindo à queda de um império que parecia nunca ter fim. 

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