politica 03/01/2018 às 17:25

Trump declara guerra a Steve Bannon e dispara: não perdeu só o trabalho, perdeu também a cabeça

Após um longo tempo aturando a guerra entre Bannon e seu genro, Jared Kushner e demais parentes, Presidente norte-americano perdeu a paciência.

Logo após a improvável eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, uma figura emergiu como chave em sua vitória: Steve Bannon, ex-Presidente do Breitbart News, grupo de mídia independente que tornou-se um gigante na internet, agitando a chamada Alt-Right, ou direita alternativa. Bannon teve uma ascensão meteórica. De produtor de vídeos independentes contra o establishment político e econômico dos Estados Unidos, aderiu à criação do Breitbart, fruto do trabalho de Andrew Breitbart, jornalista com décadas de exposição na grande mídia americana.

Com a morte precoce de Andrew, Bannon, principal responsável por levantar fundos que garantissem a rápida expansão do negócio acabou assumindo seu controle. E do posto privilegiado de controlador do maior veículo da Alt-Right americana, foi fácil para Bannon se posicionar como peça-chave na disputa eleitoral americana.

Se de início Bannon e a Cambridge Analytica apoiaram o candidato Ted Cruz, com sua desistência ambos se mudaram de mala e cuia para a campanha de Donald Trump. O desfecho, após a vitória, foi a nomeação de Bannon como estrategista-chefe na Casa Branca. Um cargo em que ele durou pouquíssimos meses.

Desde o primeiro momento no novo cargo, Bannon pautou-se por uma guerra interna pelo poder contra Jared Kushner, genro do Presidente e casado com Ivanka, a filha que controla todos seus negócios. Mas a briga não ficou aí: ao lado da irmã e do cunhado entrou em cena Donald Trump Jr. Num primeiro momento, Trump permaneceu silencioso. Mesmo com a demissão de Bannon do governo, Trump seguia calado, sem atacar seu grande aliado, que voltou para o Breitbart e comandou a fracassada campanha de Roy Moore ao Senado do Alabama, abatida em pleno voo após seguidas acusações de assédio sexual contra o juiz ultra-conservador. Mas agora, após uma nova bateria de ataques públicos de Bannon contra seus familiares, a paciência de Trump finalmente chegou ao fim.

No último brieffing na Casa Branca, a Secretária de Imprensa, Sarah Sanders, distribuiu uma nota oficial com ataques duríssimos de Trump contra seu ex-Estrategista-Chefe. Nela, Trump acusa Bannon de utilizar a mesma grande imprensa que ele ataca seguidamente para plantar notas sobre sua influência na Casa Branca. O Presidente vai além e diz que deu raríssimas oportunidades do assessor despachar diretamente com ele. Além disso, tirou de Bannon quaisquer méritos pela vitória e o culpou diretamente pela derrota no Alabama.

Atualmente, Steve Bannon é mais uma vez o Presidente do Breitbart.com e apresenta o programa de Rádio Breitbart News Daily.

A NOTA OFICIAL DE TRUMP ATACANDO STEVE BANNON:

"Steve Bannon não tem nada a ver comigo nem com a minha Presidência. Quando ele foi demitido, ele não só perdeu seu emprego, ele perdeu a cabeça. Steve foi um funcionário que trabalhou para mim depois que eu já havia ganho a indicação ao derrotar dezessete candidatos, um cenário muitas vezes descrito como o grupo mais talentoso já reunido no Partido Republicano.

Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil quanto imaginava. Steve teve muito pouco a ver com a nossa vitória histórica, que foi entregue pelos homens e mulheres esquecidos deste país. No entanto, Steve teve tudo a ver com a perda de um assento no Senado no Alabama, garantida por mais de trinta anos por Republicanos. Steve não representa minha base - ele só representa a si mesmo.

Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido da oposição, mas ele passou seu tempo na Casa Branca plantando informações falsas na mídia para parecer muito mais importante do que ele realmente era. É a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião individual comigo e só fingia ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e nenhuma informação, a quem ele ajudou a escrever histórias falsas.

Temos muitos grandes membros republicanos do Congresso e candidatos que são muito solidários com a agenda da Make America Great Again. Como eu, eles adoram os Estados Unidos da América e estão ajudando a finalmente recuperar nosso país e construí-lo, em vez de simplesmente tentar queimar tudo".

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