politica 28/12/2017 às 14:54

Apesar de se dizer 'de centro', Álvaro Dias tem projeto ousado: Refundar a República em 100 dias

No fim da entrevista o senador paranaense foi questionado se poderia desistir de sua candidatura à presidência para disputar o governo do Paraná. Ele negou, disse que nunca vai desistir.

O senador Álvaro Dias (Podemos, antigo PTN) deu entrevista para a Gazeta do Povo e explicou um pouco seu projeto político. Embora seja relutante em se colocar como alguém de esquerda ou de direita, ficando mais para o centro, ele tem uma proposta extremamente ousada: refundar a República em 100 dias.

Para o senador, “refundar a República” é reduzir profundamente o tamanho do Estado, cortar ministérios, cargos comissionados, privatizar quase todas as estatais. E também tesourar privilégios de juízes e diminuir o tamanho do Senado em um terço e o da Câmara pouco mais do que isso. E também diminuir o número de partidos.

Álvaro Dias também disse que pretende aprovar uma reforma tributária baseada num “imposto quase único”, uma espécie de CPMF sobre movimentações financeiras, que permita que sobre mais dinheiro no bolso da população de menor renda. 

Ao ser questionado sobre sua estratégia para tentar vencer a eleição, confrontado com o fato de ter apena 4% de intenções de voto de acordo com a última pesquisa DataFolha e de estar em um partido pequeno, o senador respondeu:

Talvez por causa da tragédia política que se instalou no país, há um desespero em busca de uma mudança. Isso antecipa o processo eleitoral e as pessoas fazem análises como se a eleição fosse agora. Mas só será em outubro do ano que vem. E, até a eleição, é possível que o quadro atual seja alterado. A questão do desconhecimento é real. Mas se o desconhecimento pode ser apontado por alguns como algo ruim, para mim é positivo. Porque, se eu tivesse assaltado a Petrobras, eu seria conhecido por 120% dos brasileiros. Hoje é conhecido quem roubou.

Além disso, a análise que se faz sobre pesquisas, a meu ver, é equivocada. Quando se diz que um candidato tem 30% de intenções de voto, são 30% em cima de apenas 30% que já decidiram em quem votar. São apenas 9%. Então o jogo não começou; a eleição está totalmente aberta. Mas há setores da imprensa que estimulam uma bipolarização entre a extrema esquerda e a extrema direita que não ocorrerá e que é extremante nociva para o país.

Depois disso, a Gazeta lhe perguntou se ele falava sobre Lula e Bolsonaro. Ele confirmou:

Exatamente. Uma extrema esquerda organizada em função dos últimos anos de aparelhamento do Estado. E uma extrema direita mais desorganizada, mas ativa, principalmente nas redes sociais. Mas vai chegar um momento de reflexão, de que a tragédia nacional pode ser reeditada. De que, se a escolha for infeliz, o país continuará sangrando e a população sofrendo por tempo indefinido. Por isso eu imagino que haverá lucidez em 2018. E isso me leva a acreditar que as estruturas partidárias perderão força, até pela desmoralização dos partidos em função da Lava Jato. Nesse cenário, ganham força a forma e o conteúdo a serem apresentados na campanha.

Em outro trecho o senador foi questionado sobre como governaria sem negociar cargos, ao que ele disse:

A ruptura com esse sistema abre perspectiva de desenvolvimento do país. Porque foi com esse modelo que nasceu o mensalão, sanguessugas, gafanhoto, o petrolão. E, com o apoio da sociedade, você terá o apoio do Congresso. Porque o Congresso não rema contra a maré. Se um líder adota esse modelo, terá o apoio da sociedade. Mas o presidente tem de chegar e, ainda no calor das urnas, dizer quais as mudanças que quer fazer. E tem de ir à sociedade e tem de ter competência de se comunicar. O Plano Real, por exemplo, deu certo porque houve boa comunicação; e a população apoiou. O Brasil é um país à espera de reformas. É preciso obter o apoio das pessoas, dizer que as reformas não são contra elas, mas a favor delas.

No fim da entrevista o senador paranaense foi questionado se poderia desistir de sua candidatura à presidência para disputar o governo do Paraná. Ele negou, disse que nunca vai desistir.

Sabe quando eu vou desistir? Nunca. O que não me falta é coragem. E eu tenho esperança. Acredito na inteligência das pessoas. De que elas, diante das candidaturas que estão postas, vão refletir sobre o futuro do país com responsabilidade. Essa reflexão vai prevalecer em determinado momento da campanha. Espero que a gente consiga mostrar para o país que a administração pública é viável.

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