politica 05/12/2017 às 16:14 - Atualizado em 05/12/2017 às 17:14

Não há honra entre oportunistas: o quê move a guerra silenciosa entre os irmãos Bolsonaro

Embora tentem manter a aparência de normalidade, por dentro da campanha do pai os irmãos Bolsonaro estão se auto destruindo.

Ainda que externamente tentem manter a aparência de normalidade, a verdade é que do lado de dentro a família Bolsonaro está mais desunida do que nunca. Aliás, desunião não define suficientemente bem o caso, está mais para uma disputa acirrada entre os irmãos Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro. Mas, antes de dizer o que ocorre é preciso entender um pouco mais o contexto.

Com a possiblidade de candidatura de Jair Bolsonaro, que antes era vista como impossível, surgiu um jogo de interesses bem esquisito nas relações internas desta campanha. Apesar de o deputado estar em campanha antecipada tanto quanto Lula ou Ciro Gomes, há uma diferença clara aí: falta de foco e de organização. O deputado estadual Flávio Bolsonaro, que diferente dos outros em sua família é o único que já teve a experiência de concorrer ao executivo, ao menos aparentemente tem mais visão política do que seus irmãos. Ele sabe que a política é um jogo de forças entre oposição e situação, sabe que para alcançar resultados é necessário ter uma boa estratégia.

Diante de tal sabedoria, os rumores apontam para o óbvio: Flávio tentou organizar um comitê de campanha sério, com pessoas competentes de direita, e com isso ele pretendia atingir bons resultados para o pai. Gente como o escritor Alexandre Borges e até mesmo o economista Rodrigo Constantino serviram de alicerce para isso. Borges, aliás, deu apoio para a campanha de Flávio no ano passado pela prefeitura do Rio. Constantino, que já foi crítido do deputado, tentou ajudar no sentido de inserir no discurso do deputado um pouco mais de senso econômico. Tudo isso teria dado certo se não houvesse um fator determinante na história: o radicalismo narcisista dos outros irmãos.

Eduardo e Carlos entraram nessa por mero oportunismo. Sem nenhuma preocupação com resultados, focados apenas em atender demandas imediatas e pessoais, eles começaram a sabotar diuturnamente o próprio irmão e todos aqueles que estavam do lado pragmático da campanha. Talvez muitos não se lembrem, mas há poucos meses Eduardo Bolsonaro iniciou uma ruptura violenta com Alexandre Borges, justamente um de seus maiores apoiadores, quando o escritor posou ao lado de João Doria em uma foto postada nas redes sociais. Aquilo foi o estopim de muita coisa.

Se parar para pensar não faz muito sentido que Eduardo tenha se incomodado tão agressivamente com a foto, uma vez que ele próprio e seu pai, Jair, já haviam posado ao lado de Doria em outra ocasião recente. Logo, conclui-se que há outras razões além das que foram alegadas. Evidentemente o irmão mais velho passou a sabotar o trabalho do mais novo, e ao lado de Carlos ele formou uma verdadeira coalizão extremista dentro da campanha do pai.

Com o extremismo, cuja finalidade é validar sua imagem diante de seus fãs já conquistados, Eduardo conseguiu colocar o próprio pai em isolamento. Se nos últimos meses Flávio havia conseguido algumas aberturas para Jair, Eduardo certamente fechou a porta e lacrou com cimento. O que move tudo isso, no fim, é o ego enorme dos dois irmãos, que pretendem levar o bastão sozinhos e acham que são muito mais do que realmente são, Também há rumores de que Carlos Bolsonado queira uma candidatura ao Senado pelo Rio, o que é perfeitamente plausível, pois daí aquele que trouxer "bons resultados" para o pai pode ganhar a concessão necessária e o apoio para a candidatura.

Eduardo, aliás, já havia demonstrado seu oportunismo em outros momentos, como na vez em que usou uma postagem do BuzzFeed, site de extrema-esquerda, para acusar falsamente o vereador Fernando Holiday, do MBL, de ter praticado caixa dois em campanha. A acusação era tão falsa que o próprio Holiday pegou a denúncia feita pela "jornlista" e abriu investigação contra si. Depois, é claro, Eduardo nunca se desculpou pelo feito, afinal de contas ele só agiu para "lacrar" com seus seguidores que odeiam o movimento.

A questão, entretanto, é que nesse rolo gigantesco um personagem não se manifestou em momento algum, embora devesse ser o maior interessado, e ele é o próprio deputado Jair Bolsonaro. Vendo que seus filhos estão aplicando rasteiras uns nos outros e que isso pode prejudicar drasticamente sua campanha, ele se limitou a observar os jogos internos de oportunismo da família. Esta não é exatamente a atitude de alguém que pretende ser candidato à presidência. Alguém na posição dele deveria, antes de qualquer coisa, estar um pouco mais preocupado com tudo isso, mas definitivamente não é o seu caso. E é daí que surgem outros rumores...

Estaria Bolsonaro realmente pensando em ser candidato à presidência? Ao que tudo indica, no momento sua situação é a de segundo ou de terceiro colocado nas pesquisas, e isso porque muitos candidatos concorrentes ainda são nebulosos. Se ele mantiver isso até a campanha, é óbvio que vai perder, provavelmente até em primeiro turno. Por isso o rumor é de que ele, de fato, não queira ser candidato à presidência. Ciente de que tende a perder, crê-se que ele pode tentar uma candidatura ao Senado e assim postergar a presidência por mais quatro anos.

Seja como for, a campanha de Bolsonaro está rachada. De um lado a minoria inteligente que busca a conciliação e a estratégia política, do outro os radicais oportunistas que só querem ganhar no grito e que são a maioria.

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