politica 05/12/2017 às 14:27 - Atualizado em 05/12/2017 às 14:49

Villa não se empolga com Meirelles. Sinal de que o Ministro deve ser competitivo

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Marco Antônio Villa é um historiador transformado em comentarista político. Villa surgiu para a imprensa em uma época que diversos veículos procuravam desesperadamente “intelectuais orgânicos” dispostos a jogar a guerra política contra o PT. Villa, até então um ilustre desconhecido, abocanhou seu espaço. Desde então, não tem se notabilizado especialmente pelo tirocínio, pela antevisão e sequer por uma leitura acurada da conjuntura.

Seus momentos de maior “brilho”, por assim dizer, tem sido alcançados durante ataques de pelanca. Já foram vítimas do ego imenso de Villa colegas como Reinaldo Azevedo, quando ainda estava na Jovem Pan e Airton Soares, comentarista de política, juntamente com Villa, no Jornal da TV Cultura. O historiador também buscou polemizar com Olavo de Carvalho, ainda que sem usar seu nome, numa mostra de valentia. Villa afirmou claramente que Carvalho (a quem não mencionou nominalmente) seria o líder de uma seita extremista. Villa, é claro, deve ser a voz da razão e da ponderação.

Em um comentário na Jovem Pan na última segunda-feira, Villa seguiu sua brilhante carreira de palpiteiro indignado. Segundo ele, é um total absurdo o governo Temer estar pensando em ter candidato à sucessão. Ato contínuo, atacou Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda de Temer, afirmando que o Ministro da Fazenda “não empolga ninguém”.

Registre-se: Villa é funcionário da TV Cultura. Uma TV controlada pelo Governo de São Paulo. Que tem no governador Geraldo Alckmin um pré-candidato à Presidente.

Villa, aliás, ficou super empolgado com José Serra em 2002: Lula venceu com 61,27% dos votos, enquanto Serra ficou com apenas 38,73% dos eleitores. Villa se empolgou pra caramba em 2006 com a candidatura de Geraldo Alckmin. Alckmin não só foi derrotado, como no segundo turno conseguiu a façanha de fazer menos votos que no primeiro. Mais uma vez, em 2010, Villa ficou empolgadaço com José Serra. O poste Dilma Rousseff foi eleito com 56,05% dos votos.

De todas as eleições desde a chegada do PT ao poder, em 2002, em apenas uma delas Villa não ficou super empolgado com o candidato tucano. Foi em 2014, quando Aécio Neves teve o melhor desempenho de um candidato do PSDB à Presidência, ficando com 48,36% dos votos e quase derrotando uma Presidente candidata à reeleição no exercício do cargo. Isso com Petrolão rolando à solta. Fica claro: a especialidade de Villa não é identificar candidatos competitivos.

Sendo assim, temos que Henrique Meirelles pode se tornar um candidato bastante competitivo. Quiçá até mesmo com chance de vitória.

É daquelas análises simples de fazer. Se Villa não gosta do candidato, é certeza de que ele desempenhará bem. Em contrapartida, lamento pelos candidatos apoiados por Villa. O histórico do moço definitivamente não ajuda.

A foto que ilustra a matéria é da Folha de São Paulo e mostra Villa participando de um seminário do PSDB para debater a conjuntura política.

Notícias Relacionadas