politica 30/11/2017 às 14:45

Ministério da Fazenda elabora relatório para calar a boca de quem diz que não há rombo na Previdência

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, elaborou o documento para provar que o rombo da Previdência é real e que, se não for sanado, resultará em uma dívida de R$ 110 mil para cada jovem brasileiro.

 

Segundo o relatório Aspectos Fiscais da Seguridade Social no Brasil, caso não seja feita nenhuma reforma no sistema de aposentadorias, cada jovem brasileiro deverá R$ 110,3 mil para a Previdência Social e para a Previdência dos servidores públicos. Isto, é claro, considerando que estes valores venham a ser cobrados no futuro.

O relatório prova cabalmente que a reforma da Previdência não só é necessária como é também urgente. Se não for feita, os gastos com áreas importantes como saúde, educação e segurança terão de ser reduzidos para cobrir o rombo crescente.

O documento ainda mostra que o déficit atuarial (necessário para quitar todos os benefícios quando os trabalhadores se aposentarem) do Regime Geral de Previdência Social (RGPS, que atende aos empregados do setor privado e das estatais) e do Regime Próprio dos Servidores Civis da União (RPPS) totaliza R$ 9,23 trilhões. O montante é de aproximadamente 147% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Daí se chega ao número anterior. Se este valor fosse dividido entre os 83,7 milhões de brasileiros de até 25 anos, equivaleria a R$ 110,274 mil por pessoa.

Segundo a equipe econômica, sem mudanças, apenas o déficit do RGPS, que engloba o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), saltará de 2,8% do PIB hoje para 11,3% do PIB em 2060, o que reforçaria a necessidade de aumento de tributos para cobrir as necessidades de financiamento.

De fato, com um pouco de conhecimento em contabilidade e boa vontade dá para constatar facilmente que o relatório tem muita base. A Previdência Social é deficitária por natureza, ao menos nos moldes atuais do Brasil. Esse tipo de rombo, aliás, era previsível e inevitável. A única forma de lidar com isso é modificando o sistema, tal como a reforma propõe. Sem isso, os jovens de hoje simplesmente não se aposentarão no futuro.

 

Notícias Relacionadas