politica 09/11/2017 às 17:12 - Atualizado em 09/11/2017 às 17:17

Saldo do interinato de Tasso: o PSDB à beira da implosão

Senador comportou-se como dono do partido, implodiu todas as pontes com setor governista e forçou intervenção de Aécio Neves.

OPINIÃO.
EDUARDO BISOTTO.
DIRETOR DO SUL CONNECTION.


Tasso Jereissatti nunca foi conhecido exatamente como um político de fácil trato. Acostumado há uma hegemonia que durou décadas no Ceará, onde acabou substuído por seu pupilo, Ciro Gomes, dono de um império empresarial, Jereissatti nunca foi afeito ao diálogo, à costura paciente, ao compartilhamento do poder. Suas queixas por não se considerar devidamente respeitado, dado seu gigantesco poderio financeiro, também são bastante conhecidas de quem acompanha os bastidores da política há um certo tempo.

Por todo este histórico, Tasso havia sido relegado ao segundo escalão da política há bastante tempo. Seu último grande momento de brilho havia sido na homérica briga com José Serra e todo o PSDB paulista pela indicação à Presidência em 2002. Derrotado, apoiou o pupilo Ciro Gomes no primeiro turno daquela eleição e no segundo turno cruzou os braços. Lula teve uma vitória avassaladora no Ceará. Desde então, viveu o ostracismo. E voltou à ribalta em um momento hiper delicado: o vazamento do áudio criminoso armado por Joesley Batista contra Aécio Neves.

Tasso viu uma janela de oportunidades na desgraça de Aécio. E aproveitando o momento de absoluta confusão, comportou-se como verdadeiro dono do partido. 

A seqüência de atitudes de Tasso na Presidência não deixa dúvidas: ele partiu para o confronto aberto contra toda a ala governista do PSDB, que reúne pelo menos metade dos Deputados Federais, grande parte da bancada do Senado, incluindo José Serra e um sem número de prefeitos, ansiosos pela ajuda do Governo Federal em um dos momentos mais difíceis para ser gestor público em nossa história recente.

Um confronto que viu uma escalada sem precedentes. Tasso demitiu toda a equipe de comunicação do partido. Pior: contratou uma empresa ligada ao PT de Minas, que liderou uma das campanhas mais sujas da história contra o PSDB em 2014. 

Tasso fez ataques públicos aos tucanos governistas. O jogo todo foi de uma virulência só vista nos ataques do petismo ao tucanato.

Nos bastidores, especula-se fortemente a possibilidade de Tasso aderir à candidatura outsider do apresentador Luciano Huck. O histórico não seria problema, considerando que em 2002 ele já apoiou uma candidatura de fora do PSDB. Tasso e Huck convivem bastante no mundo empresarial e social, transitando basicamente nos mesmos ambientes. O discurso adotado por Tasso, em defesa de uma suposta renovação política, vai ao encontro do discurso de pré-campanha adotado por Huck. Só há algo engraçado nisso: Tasso, atuando na arena política nas últimas três décadas, ainda não fez menção sobre sua própria aposentadoria.

A intervenção, destituindo Tasso e indicando Alberto Goldman para a Presidência dá a exata dimensão do tamanho que a crise atingiu. O objetivo é reestabelecer um mínimo de equilíbrio daqui até dezembro, quando uma Convenção partidária deve eleger uma nova direção. Esta sim com legitimidade para avançar quaisquer alterações políticas.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, deve ser o adversário de Tasso. Caso vença, Perillo terá um trabalho dificílimo para reunificar o partido. Parece, neste momento, que defecções serão inevitáveis. A próxima Presidência do PSDB, o partido que por míseros 2% dos votos não assumiu a Presidência da República, terá a dura missão de lutar pela sobrevivência.

Não será nem um pouco fácil.

O saldo do interinato de Tasso Jereissatti é absolutamente desastroso. 

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