politica 08/11/2017 às 17:45 - Atualizado em 08/11/2017 às 18:13

Prona não existe e Dr. Rey não será candidato pelo partido

Fanfic que circula com vontade na internet ganhou força até mesmo da Folha de São Paulo. Aparentemente, tentativa é de causar abalos na candidatura de Bolsonaro.

A era do caça-cliques está cada vez mais engraçada. Sem compromisso com os velhos dogmas do jornalismo (checagem, por exemplo), veículos espalham as maiores batadas sem o menor receio. Um exemplo é a outrora referência Folha de São Paulo. Seu Manual de Redação, que já foi referência em todo o país como modelo de verdadeiro jornalismo a ser praticado, parece ter sido esquecido em algum museu. Só isso explica a matéria "Cirurgião das estrelas, Dr. Rey pretende ser presidente em 2018 com EUA como modelo".

A matéria basicamente surfa numa fanfic que tem corrido como rastilho de pólvora pelas redes sociais. Segundo a tal fanfic, Dr. Rey será candidato pelo Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional), sigla que teve como seu maior expoente o falecido e lendário Dr. Enéas Carneiro. Só tem um problema: o Prona não existe mais desde que Enéas acertou sua fusão com o então PL do mensaleiro Valdemar da Costa Neto. Há uma tentativa de recriar a sigla no TSE. O problema é que ela não passa nem perto de ser levada à sério.

Pra começar a criar um partido, é relativamente simples: bastam 101 assinaturas de eleitores em pelo menos um terço dos estados brasileiros (nove). Depois, passa-se por uma burocracia imensa buscando reconhecimento de Cartórios Eleitorais, TREs e o Tribunal Superior Eleitoral. O Prona já superou esta burocracia. Mas aí chegou na hora em que a porca torce o rabo: para criar um partido, são necessárias as assinaturas de pelo menos 0,5% dos eleitores da última eleição para a Câmara dos Deputados. Hoje, isso daria um total de 484.169 assinaturas, todas devidamente autenticadas em Cartórios Eleitorais e reconhecidas pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Sabe quantas assinaturas o Prona têm até o momento? Exatas 1.549. Em caso de dúvidas: mil cento e quinhentas e quarenta e nove assinatoras. E só. Ou seja: faltam 482.620 assinaturas para o Partido passar a existir.

Dr. Rey poderia ser candidato. Por qualquer partido já existente. O prazo de um ano antes da eleição para filiação (juízes e membros do Judiciário podem se filiar com seis meses de antecedência e ocupantes de mandato podem trocar de partido durante a janela que se abrirá ano que vem), já passou.

A única pauta, talvez, seria perguntar se Dr. Rey se filiou a algum partido. Se não, não há assunto. Ou talvez haja: a tentativa de gerar abalos na candidatura de Jair Bolsonaro, caudatário da indignação geral e dos movimentos anti-política mais consistentes que tem se apresentado.

E tudo que a imprensa faz é contribuir para a cobertura de circo do processo político brasileiro.

Um desserviço, basicamente, que o bom e velho Manual de Redação da Folha jamais permitira. 

Lastimável.

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