politica 06/11/2017 às 09:13

Líder da oposição venezuelana refugia-se na embaixada do Chile

Supremo Tribunal de Justiça quer levantar a imunidade parlamentar a Freddy Guevara

O Ministério das Relações Exteriores do Chile emitiu um comunicado, difundido pela Associated Press, em que informa que o governo concedeu ao vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Freddy Guevara, a “condição de convidado” da embaixada do país em Caracas, capital da Venezuela. A razão é, segundo o mesmo comunicado, a existência de fortes indícios de que a sua segurança está seriamente colocada em causa: “dado o que considera ameaças iminentes à sua segurança e integridade pessoal, Guevara solicitou a proteção do Chile”, diz o comunicado.

Ao longo do dia de ontem, a Associated Press adiantava não haver sinais de atividade fora da sede diplomática do Chile em Caracas, localizada num bairro exclusivo de propriedades muradas. Guevara entrou na residência do embaixador no sábado à noite, acompanhado pela sua companheira.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal da Venezuela proibiu Guevara de sair do país e pediu à Assembleia Constituinte que cancelasse sua imunidade e com isso o político da oposição poderia ser preso a qualquer momento. O tribunal acusa-o de instigar a agitação, e de outros crimes, pelos protestos anti-governo que Guevara liderou ao longo dos últimos meses.

De acordo com a lei, cabe à Assembleia Nacional – controlada pela oposição – determinar se a imunidade é ou não levantada a um parlamentar, mas o Tribunal preferiu encaminhar o caso para a Assembleia Constituinte, dominada pelo governo de Nicolás Maduro e com poderes praticamente ilimitados.

México, Brasil e Canadá, entre outros 12 países americanos – emitiram uma declaração conjunta em que afirmam que as ações contra Guevara são um novo golpe à lei de separação de poderes na Venezuela.

Não é a primeira vez que a embaixada do Chile é procurada como ponto de fuga de opositores perseguidos pelo regime de Nicolás Maduro: no início deste ano, cinco juristas nomeados pela Assembleia Nacional para entrarem no elenco do Supremo Tribunal de Justiça pediram asilo na residência do embaixador Pedro Ramírez, depois de as suas prisões terem sido pedidas pelo Governo. 

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