geral 01/11/2017 às 18:45

CIA libera publicação de diário de Osama Bin Laden

Long War Journal lutava desde 2011 pela liberação do documento contendo 228 páginas em árabe com as reflexões do líder do grupo terrorista Al-Qaeda.

O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, morto há seis anos, mantinha um diário escrito à mão no qual discorria sobre os planos de ataque do grupo, assim como identidades e localizações de pessoas importantes do círculo jihadista. Imagens de todas as 228 páginas do diário foram divulgadas nesta quarta-feira, 1º, pela Agência de Inteligência Americana (CIA). As informações são do Estadão.

Segundo a CIA, o último registro feito pelo líder terrorista é de um dia antes de sua morte, em 2 de maio de 2011. De acordo com a CIA, o diário, todo em árabe, era atualizado pelo líder e contém suas “reflexões privadas sobre o mundo e o papel da Al-Qaeda nele”. A agência afirma ainda que algumas páginas contém os pensamentos de Bin Laden sobre a revolta popular no mundo árabe de 2011 conhecida como Primavera Árabe e o desejo do líder terrorista de que seus homens “capitalizassem” o movimento de alguma maneira. “Enquanto a Al-Qaeda não previu as revoltas que varreram o Norte da África e o Oriente Médio, ela se moveu rapidamente para passar a operar em seus países, como a Líbia”, afirma a CIA.

A agência afirma ainda que algumas páginas contém os pensamentos de Bin Laden sobre a revolta popular no mundo árabe de 2011 conhecida como Primavera Árabe e o desejo do líder terrorista de que seus homens “capitalizassem” o movimento de alguma maneira. “Enquanto a Al-Qaeda não previu as revoltas que varreram o Norte da África e o Oriente Médio, ela se moveu rapidamente para passar a operar em seus países, como a Líbia”, afirma a CIA.

Segundo o Long War Journal, levará tempo até que todo o material seja avaliado pelos especialistas e profissionais de inteligência, mas algumas conclusões já podem ser tiradas. Uma delas é a de que a rede Al-Qaeda fundada por Bin Lade sobreviveu a mais de 16 anos de guerra. O grupo falhou em repetir um ataque ao estilo e  tamanho do que foi o 11 de Setembro dentro dos EUA, apesar da vontade do líder da rede de repetir o feito. Além disso, o grupo sofreu vários revezes com a morte de vários e importantes líderes.

De acordo com a análise do jornal, a Al-Qaeda se adaptou e, de certa forma, cresceu, espalhando sua marca de insurgência em países onde tinha pouca capacidade operacional em 2001. Os documentos ajudam a explicar como a Al-Qaeda conquistou simpatizantes por toda a África Ocidental e Sul da Ásia, diz a publicação.

Entre os documentos, há um vídeo do casamento  do filho do líder terrorista quando jovem, Hamza bin Laden, a primeira que se tem notícia. O jornal lembra que desde 2015, a Al-Qaeda tem divulgado mensagens de áudio de Hamza. A Al-Qaeda estaria tentando capitalizar a “marca” Bin Laden, e construindo a imagem de Hamza no círculo jihadista. No entanto, a rede se recusa a divulgar imagens de Hamza, temendo colocar sua segurança em risco. No vídeo, também é possível ver outros importantes nomes da Al-Qaeda, incluindo Mohammed Islmabouli, irmão do assassino do presidente egípcio Anwar Sadat, morto em 1981.

No total, são cerca de 470 mil arquivos encontrados em Abbottabad. O pacote possui 500 GB e inclui cartas, documentos familiares, vídeos e fotos. Segundo a CIA, foram mantidos em sigilo apenas arquivos protegidos por direitos autorais, capazes de prejudicar a segurança nacional ou que envolvam "pornografia". 

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