politica 27/10/2017 às 18:20

Rodrigo Maia: o Poderoso dos jornais

* Análise. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Acompanhe-se a cobertura política na Folha de São Paulo e nos veículos do Grupo Globo de Comunicação e a conclusão é inevitável: Rodrigo Maia é o homem mais poderoso do país no momento. Ele, assim como He-Man, tem a força. Ele, e apenas ele, Rodrigo Maia, é capaz de fazer as Reformas serem aprovadas. Temer é um morto-vivo. Sabe-se Deus como ainda está na Presidência. Graças a Deus, temos Rodrigo Maia a nos proteger. 

Eis a narrativa. Que, para sorte do Brasil, passa longe dos fatos.

Rodrigo Maia é apenas o ungido do momento na interminável campanha #ForaTemer. Antes foi Janot. Junto com Janot foram Joesley e Wesley. No entremeio já foi Lúcio Funaro. E poderia ter sido Eduardo Cunha, caso este tivesse topado fazer um acordo com Janot e inventar uma meia dúzia de lorotas sobre Temer.

A verdade, incrivelmente dita por Cris Lôbo durante o jornal das 10 é insofismável: Temer sobreviveu não a uma, mas a duas votações no Congresso Nacional que visavam tirar seu mandato. Certamente não foi pelos favores de um jovenzinho alçado à Presidência da Câmara num vácuo de poder poucas visto naquela casa.

Michel Miguel Elias Temer Lulia presidiu o PMDB por duas décadas. O maior, mais poderoso e mais complexo partido do país. Foi três vezes Presidente da Câmara dos Deputados. Em Legislaturas infinitamente mais gabaritadas e com mais peso político do que a atual. Sobrevive por seus méritos, não por qualquer favor.

Mesmo diante de uma blitz inédita casada entre o Grupo Globo e as organizações Folha (dona do portal UOL, por exemplo), ele sobreviveu. Mesmo com um Procurador Geral da República atuando como militante partidário, Temer sobreviveu. Mesmo com um Presidente da Câmara dos Deputados que impediu o assesso de Ministros e assessores de Temer aos deputados no dia da votação, ele manteve 251 leais votantes.

A mídia seguirá incensando Rodrigo Maia por mais um tempo e talvez até por dois tempos. É o quê restou. A mídia, juntamente com Maia, foi humilhada por Temer no jogo pra valer nas votações na Câmara. Mas o fim é inexorável: não importa que esperneiem dizendo que a Reforma da Previdência só será aprovada porque Maia deixou. Não importa que qualquer medida positiva do governo, de ora em diante, seja artificialmente creditada à Maia.

A economia segue sua curva de recuperação. Com a Reforma aprovada, tal curva tende a acelerar. E tão certo quanto dois mais dois são quatro e que a noite sucede o dia, é o fato de que Temer chegará na eleição com uma popularidade muito maior do que a que ostenta no momento.

E dado o oportunismo crasso que tem caracterizado o jogo da grande mídia corporativa até o momento, é bem provável que a cabeça de Rodrigo Maia acabe rolando, cedo ou tarde, quando esta mesmíssima grande mídia corporartiva resolver recompor as pontes com Temer.

Quem viver, verá. 

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