geral 23/10/2017 às 21:13

As redes sociais sabem tudo sobre você

Jornalista francesa decide perguntar ao Tinder as informações que a rede possui a seu respeito. O resultado é um tijolão de 800 páginas.

O aplicativo de encontros Tinder torna fácil se conectar e conversar com várias pessoas ao mesmo tempo – e torna igualmente fácil para o usuário se esquecer de todas elas. Mas o Tinder não esquece. Pelo contrário: armazena tudo em sua base de dados. A jornalista Judith Duportail, uma das 50 milhões de pessoas que usam a plataforma americana, se perguntou o quanto o Tinder sabia sobre ela. A reportagem é da BBC.

"Faz vários anos que uso o app e me dei conta que a cada interação eles sabem um pouco mais sobre mim", diz a francesa à BBC. Judith então pediu ao Tinder que lhe enviasse tudo o que sabia sobre ela. Com ajuda do ativista Paul-Olivier Dhaye e do advogado Ravi Naik, ela enviou um e-mail aos responsáveis pelo aplicativo para que eles lhe dessem acesso aos seus dados pessoais armazenados.

Dehaye explicou que o processo foi exaustivo, com dezenas de trocas de e-mails e meses de espera. São informações que, de acordo com a lei de proteção de dados da União Europeia, todos os cidadãos têm o direito de saber. É preciso enviar um e-mail para privacyinquiries@gotinder.com com o assunto Subject Access Request (pedido de acesso).

No Brasil, no entanto, o Marco Civil da Internet não regulamenta em detalhes os direitos e deveres de empresas e usuários quanto aos dados privados e não prevê a possibilidade dos usuários visualizarem as informações que as empresas armazenam sobre eles. O projeto de lei que regulamenta a utilização de dados privados, o PL 5276/2016, aguarda votação na Câmara dos Deputados.

O Tinder, portanto, não é obrigado a fornecer os dados que armazena dos usuários brasileiros.

A empresa diz que revisa todos os pedidos mesmo assim. "Respondemos de forma apropriada e dentro do tempo hábil ecessário, levando em consideração a aplicabilidade das leis e o padrão das práticas e políticas do setor", afirma, em nota.

Judith, por sua vez, recebeu uma resposta maior do que esperava: um documento de 800 páginas.

Havia mais de 1.700 mensagens enviadas e recebidas, seus likes no Facebook, as fotos do Instagram (incluindo as postadas depois de Judith ter desvinculado as duas contas), dados de GPS e a frequência e os horários em que usava o aplicativo, entre outros dados pessoais.

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