politica 24/07/2017 às 07:25

Adeus, Brasil

Relato de um brasileiro que vive há 10 anos na Alemanha

POR ADRIANO C. 

Este final-de-semana completaram-se 10 anos de que me mudei do Brasil. Difícil tangibilizar a sensação de alívio que sinto ao escrever isso. Semana passada consegui, finalmente, trazer para a Alemanha meu pai em definitivo e com isso fechou-se completamente meu ciclo e qualquer vínculo que ainda me prendia ao país. 

Tamanha é minha vontade de desligar-me de qualquer lembrança do Brasil que já dei entrada no processo de renúncia à minha nacionalidade brasileira no Ministério da Justiça. Como Carlota Joaquina no passado, do Brasil não quero nem a poeira. 

Essa decisão radical e definitiva tomei não tem muito tempo. A conclusão desse ciclo aconteceu no ano passado, quando visitei minha cidade-natal, Rio de Janeiro pela última vez. Jamais imaginei que ir para a cidade onde nasci me causaria tamanha repulsa. Há alguns anos já não acompanhava as notícias diárias do Brasil para não colocar-me preocupado, mas o choque de realidade no Rio foi algo único. 

Ao colocar-me a par de todo o processo das investigações de corrupção e de todo o escândalo envolvendo os ex-Presidentes, escutei antigos colegas de escola e de faculdade tentando justificar o injustificável e alguns até mesmo ainda apoiavam o ex-Presidente com apelido de molusco. 

Repulsa, infelizmente é o único sentimento que posso ter de um lugar como esse, com pessoas como essas, que compactuam com todo este processo e ainda acham graça ou justificam com a velha frase de "mas todos são assim". Pois, sim, talvez no Brasil todos sejam mesmo assim, mas na última década estive acostumado a viver em uma sociedade de gente decente que, não é perfeita, mas pelo menos não tolera o malfeito e o crime em qualquer escala. 

O problema do brasileiro não se restringe ao Brasil. O brasileiro comum tem fama de aproveitador e malandro ao redor do mundo todo. Diversas vezes, Europa e Estados Unidos afora, ouvi histórias de como os brasileiros se aproveitam dos sistemas de benefícios sociais, ou alugam apartamentos e compram carros e desaparecem sem pagar. E isso não são casos isolados, são a regra. Exceção são os que não vão por esse caminho. 

Não farei aqui o discurso demagógico de que os políticos são tão responsáveis quanto o cidadão que paga propina ao policial para não receber uma multa. Ambos são malfeitos, mas obviamente em escalas completamente distintas. O que, sim, ambos têm em comum é a falta de moral inerente à cultura brasileira.

Portanto, deixarei aqui o conselho que deixei a amigos mais próximos que ainda teimavam em resistir no Brasil (dois deles seguiram o conselho e mudaram-se não tem muito tempo): vá embora, mas deixe para trás todos os vícios do que é ser brasileiro. 

* Adriano C. é executivo de uma empresa alemã e vive em Stuttgart há 10 anos. 

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