politica 17/07/2017 às 19:16

O canto da sereia de uma suposta pureza é uma armadilha direta para o desastre

* Ricardo Campos Caeiro. Pseudônimo de antigo conhecedor e analista da cena política brasileira.

O atual presidente do Brasil, apesar de acossado por denúncias, desde o início do seu mandato resolveu enfrentar as forças do atraso ao propor reformas modernizadoras, em contraposição aos graves erros e equívocos descabidos do seu antecessor. Decidiu enfrentar as esquerdas que se alojam nos partidos, sindicatos, jornais, revistas, estúdios de TV; no corporativismo dos funcionários públicos, nas universidades, e no mundo artístico e de usuários de maconha e outras drogas; nos becos escuros e fedidos a mijo, túneis subterrâneos por onde rastejam ideologias imundas, nos bueiros, buracos fétidos e frestas do marxismo e afins.

Apesar de haver entre nós aquela corrente que deseja a limpeza do paraíso, passando o rodo geral, optamos por apoiar o menos ruim. Por mais óbvio que seja, muitas vezes é necessário se dizer que acreditamos ser preferível o menos ruim ao muito ruim. Bem como nossa total disposição em não nos lançar em aventuras em direção à perfeição. O canto da sereia de uma suposta pureza é uma armadilha direta para o desastre.

O mundo real, aquele no qual obrigatoriamente habitamos, repleto de todas as coisas boas e ruins, nos dá a opção de ir melhorando aos poucos e gradualmente, afastando o lixo, os ratos maiores, corrigindo os descompassos e preservando tudo aquilo que as gerações anteriores fizeram de bom. Ao contrário das aventuras jacobinas e suas chamas e fogueiras de purificação do mundo.

A purificação do mundo é uma guerra contra o Mal que acaba sempre por destruir o Bem como efeito colateral. A opção que fazemos pelo Brasil de Temer vai ao encontro de uma visão realista não só do Brasil, mas também do mundo. Segue a mesma toada da opção que fizemos pelos EUA de Donald Trump.

Ao tempo em que rejeitamos o politicamente correto esquerdista, rejeitamos outras visões irrealistas, adolescentes, infantis, idiotas, mesquinhas, canalhas, bunda-moles e escrotas da realidade. Já aprendemos o suficiente para poder distinguir o ruim do péssimo, a solução moderada e imperfeita ao invés do desastre perfeito.

Esta posição é o mais cristalino reflexo da nossa firme presença em um mundo imperfeito, sempre na busca de pequenas e graduais melhorias, mas cientes de que às vezes somos obrigados a conviver com retrocessos, mas sem perder a esperança num amanhã um pouco melhor.

Quando o vento sopra, para o norte ou para sul, leste ou oeste, nem sempre traz chuva.

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