geral 17/07/2017 às 13:37

O problema de Aranha não é racismo. É caráter

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

No dia 28 de agosto de 2014, a jovem Patrícia Moreira foi até à Arena Grêmio assistir a partida de seu time contra o Santos e viver momentos de lazer e descontração. Ela não teria como imaginar que aquele dia marcaria a virada de sua vida de cabeça para baixo e que em nome de uma hipócrita luta contra o racismo seria linchada em praça pública.

Por quê a luta contra o racismo é hipócrita?, há de perguntar alguém louco para enxergar mais racismo onde ele não existe, no caso, neste texto. É simples: que racismo há, isso é inegável. Que deve ser combatido, idem. Que não foi o caso de Patrícia com Aranha naquele 28 de agosto de 2014, qualquer pessoa com dois neurônios e que já esteve num estádio de futebol ao menos uma vez na vida é capaz de constatar.

Explico rapidamente. Juízes têm suas mães xingadas em todas as partidas. "Filho da puta" é poesia em estádio de futebol. Alguém que xinga o juiz de "filho da puta" durante a partida está, de fato, tratando da conduta sexual da mãe do juiz ou de suas atividades profissionais? Da mesma maneira, o clássico "ei, fulano, vai tomar no cu!", espera realmente que fulano vá tomar em seu orifício anal? 

É evidente que estamos tratando de meros xingamentos. De desabafos. De situações catárticas. Devemos combater o racismo e a homofobia quando tornam-se agressão. Cabia uma reprimenda à Patrícia pelo xingamento de "macaco"? É bem provável. Mas o circo de horrores que se desencadeou a partir do xororô sem-vergonha de Aranha na saída do campo foi absolutamente desproporcional, sem sentido, covarde, canalha. 

Patrícia teve sua casa pichada. Em seguida, sua casa foi incendiada. Patrícia vive com medo. Material do Jornal Extra, seis meses após o caso, mostrava que Patrícia vivia oculta, sem conta em redes sociais, saindo nas ruas disfarçada. A jovem enfermeira reconhecida por um trabalho repleto de carinho e sem nenhum caso de racismo registrado anteriormente, muito pelo contrário, foi reduzida à pária social.

Aranha saiu do Santos, mas continuou recebendo seu salário mensal na casa dos três dígitos, agora na Ponte Preta. E passados três anos da sua agressão covarde contra Patrícia, voltou a exercitar o chororô lamuriento no último domingo, quando seu atual clube, a Ponte Preta, enfrentou o Grêmio na mesma Arena que viu o início do linchamento de Patrícia há três anos.

Ressalte-se: este mesmíssimo Aranha entrou com uma ação trabalhista contra o Santos, buscando receber salários atrasados. Pouco tempo depois, seu empresário ofereceu o jogador para uma volta ao clubeNota-se sua enorme coerência e seriedade.

Sou colorado. Não tenho qualquer motivo para defender gremistas. Mas o fato é que o politicamente correto invadiu os estádios e o futebol, ajudando a tornar ainda mais tenso o clima em um ambiente que já anda conturbado. Como esquecer das cenas de guerra civil em São Januário há pouco mais de uma semana? Como esquecer as cenas de guerra civil há poucas semans em Goiás, no clássico regional entre Vila Nova e Goiás? Como esquecer dos atos de selvageria em Joinville, na série B no ano em que o Vasco subiu? O futebol já tem violência suficiente, tornando absolutamente desnecessário que gente como Aranha traga de forma absolutamente artificial a guerra racista para dentro dos estádios.

28 de agosto de 2014 marcou o início de uma saga com uma vítima e um agressor. A vítima chama-se Patrícia Moreira. A torcida do Grêmio, que vem sendo pichada como racista desde então, é uma vítima colateral. O agressor se chama Aranha. Luxuosamente auxiliado em seu linchamento por grande parte da mídia politicamente correta.

Que Deus em algum momento faça Justiça. Do mundo dos homens no Brasil não dá pra esperar mais nada, infelizmente.

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