politica 26/05/2017 às 15:34

Sem saída consensual, manutenção de Temer é o melhor para o Brasil

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Desde que o golpe urdido por Joesley Batista contra Michel Temer, secundado pela Procuradoria Geral da República de Rodrigo Janot e pelo Ministro do STF, Edson Fachin, teve andamento na semana passada, a saída do Presidente passou a ocupar quase que exclusivamente a agenda das principais lideranças políticas. Chegou-se a dar como certa, inclusive, a sua renúncia. Temer resistiu e o cenário, uma semana depois, ainda que bastante sensível, aponta que talvez esta tenha sido a melhor decisão para o Brasil.

A situação é bem simples: não há um mínimo consenso sobre quem substituiria Temer na Presidência da República. E isso vale para qualquer cenário, seja o de eleições indiretas, respeitada a Constituição ou até mesmo num eventual arranjo que permitisse eleições diretas para Presidente. É só observar a proliferação de candidaturas, com nomes se multiplicando mais rápido do que chuchu na cerca.

O PSDB começou com o nome de Fernando Henrique Cardoso, por sua grande respeitabilidade e aceitação em setores importantes da sociedade. Entretanto, logo em seguida perceberam o óbvio: FHC está fora da política cotidiana desde 2002. Se bobear, não conhece mais do que 100 deputados na Câmara. Numa eleição indireta, teria ralar muito para conquistar a simpatia do Colégio Eleitoral. 

Com a ascensão de Tasso Jereissatti ao comando tucano, seu nome também passou a ser aventado em eleições indiretas. Se Tasso tam muito mais interlocução no atual Congresso do que FHC, ainda dependeria essencialmente da adesão do PMDB de Temer e do Centrão que também apoia o Presidente. Por que Temer apoiaria Tasso, caso o PSDB ajudasse a precipitar sua queda?

Outros ainda tentaram apresentar o nome de Geraldo Alckmin, que ao perceber que não gerou a menor comoção, agiu rapidamente ao indicar FHC e Tasso como seus candidatos.

No entorno mais próximo a Temer, o nome do Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM) foi cogitado pelas bancadas do PP e do PSD na Câmara.

No lado oposicionista a situação não é melhor. O único consenso que uniria as forças anti-Temer seria o nome de Lula numa eventual eleição direta. Mas primeiro, precisariam patrolar a Constituição e eles não chegam nem perto de arranhar uma solução como esta sem apoio do atual governo. 

Nelson Jobim? É aquele nome que aparece sempre como de "consenso", "terceira via", uma espécie de Marina Silva insider do sistema político. Mas quantos deputados Jobim mobiliza? E senadores? Contar com o apoio de FHC e Lula não lhe garante voto algum de véspera.

Não há consenso. Não há possibilidade de consenso no horizonte imediato. Sendo assim, a manutenção de Temer, apesar de todos os pesares, aparece como a única alternativa para aqueles com um mínimo de bom senso e compromisso com o futuro do Brasil.

Temer está encaminhando as reformas, tão necessárias para que saiamos da crise de forma definitiva. Temer está encaminhando uma série de medidas que beneficiam a indústria brasileira, tão maltratada por políticas econômicas que tem sistematicamente ignorado sua existência. Que conclua sua obra. E vá para casa. Mas apenas no dia 31 de dezembro do próximo ano.

Os petistas sabem que ano que vem teremos as Diretas que eles tanto almejam. Os atuais governistas deveriam saber que a queda do atual Presidente apenas contribuirá com ainda mais instabilidade e a perpetuação da crise econômica, jogando a vitória no próximo ano no colo de seus adversários.

Sem consenso, temos apenas uma solução decente: FICA, TEMER!

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