geral 25/05/2017 às 16:47

Caso Reinaldo Azevedo: os que se aliaram à dupla Fachin-Janot mostraram seu caráter

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Este Sul Connection é um veículo plural. Sempre foi. Algumas vezes, inclusive, fomos acusados de certa esquizofrênia na linha editorial, já que o quê eu, Eduardo Bisotto, penso, nem sempre casa com o quê o nosso editor, Guilherme Macalossi pensa. Isso pra não falar dos colaboradores, que sempre tiveram absoluta liberdade para expressarem suas opiniões, mesmo na contramão da linha editorial do site.

Sendo assim, não é surpreendente que eu já tenha postado aqui diversas críticas bastante duras ao jornalista Reinaldo Azevedo. E isso mesmo sabendo da relação de amizade que Macalossi sempre teve com o referido jornalista. Entretanto, determinados momentos não admitem discussões no mérito, para usar um termo jurídico. O caso já deve ser anulado nas iniciais. Foi o quê aconteceu com os ataques vis, covardes, torpes, nojentos e asquerosos sofridos por Azevedo, ao ter conversas suas com Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves expostos em rede nacional pela Operação Lava-Jato em sua franja comandada pelo dueto Fachin-Janot.

Se de um lado a imprensa nacional reagiu de forma praticamente unânime em solidariedade ao jornalista, contando ainda com a solidariedade de políticos como a insuspeita Kátia Abreu ou juristas como Gilmar Mendes, de outro vimos um certo esgoto auto-intitulado "de direita" botar a cabeça pra fora.

Envolvidos em polêmicas com o jornalista há um bom tempo, não deixaram a "oportunidade" passar batida e não pensaram duas vezes: entre defender a liberdade de imprensa, o direito à privacidade e a sacralidade do sigilo da fonte e poder espezinhar alguém que consideram inimigo, optaram sem pensar pela segunda alternativa. E isto mesmo se aliando com uma dupla que havia acabado de tentar derrubar um Presidente da República plantando fake-news ao mesmo tempo em que dava indulto ao maior corruptor que esta República já conheceu.

Dizem os livros de auto-ajuda que existe uma certa lei da atração, que faz os iguais se atraírem. Neste caso, parecem ter absoluta razão. Esta tal de auto-intitulada "direita da web" não poderia estar em melhor companhia. Ao juntar-se a Janot e Fachin, ao mesmo tempo que berram como prostitutas histéricas contra um tal de "estamento burocrático", desvelaram em público seu caráter.

Caso esta ditadura jurídico-policialesca que se desenha consiga prevalecer (valha-nos Deus!), não tenho a menor dúvida que os mesmos que hoje se regozijam com a saída de Azevedo da Rádio Jovem Pan e da Revista Veja também serão, cedo ou tarde, vítimas do aparelho. Quando isso acontecer, não terei e espero que meus amigos também não tenham este comportamento de esgoto, dando gritinhos de prazer incontido de uma inveja ainda mais mal contida, inveja esta apaziguada com a desgraça dos inimigos.

Como diz o Luciano Ayan, a mancha moral deste tipo de comportamento não abandona nunca os que escolhem o lado errado da história.

Agora fica claro o porquê de uma famigerada "união da direita" ser virtualmente impossível.

Não é uma mera divergência de ideias. É divergência de caráter, mesmo!

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