politica 08/04/2017 às 15:35

Direita nacionalista se afasta de Trump após ataques na Síria

Nigel Farage, um dos primeiros a apoiarem Trump, acredita que em meio ao caos de fundamentalismos no Oriente Médio, Assad ainda é uma melhor liderança.

Embora grande parte do mundo esteja aplaudindo a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de atacar uma base aérea síria como retaliação por um ataque de armas químicas contra civis, os partidários da direita nacionalista, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior criticaram o movimento e passam a marcar certa distância de sua Presidência. É um movimento dramático: enquanto a socialista França aplaude Trump, Nigel Farage, líder pró-Brexit, alinhado com Trump desde a campanha presidencial do ano passado, tendo inclusive discursado em seus comícios faz críticas ao ataque. 

Na sexta-feira de manhã, Farage disse que estava "muito surpreso" pela ação da Síria. "Eu acho que muitos dos eleitores Trump vão acordar esta manhã e coçar a cabeça e dizer: 'Onde tudo vai acabar?'", afirmou. "Como um firme apoiador do Trump eu digo, sim, as fotos eram horríveis, mas estou surpreso", continuou Farage, argumentando que em uma região dividida pelo extremismo islâmico, "independentemente dos pecados de Assad, ele é secular".

Os comentários de Farage captaram a onda de raiva e frustração de direita que se seguiram aos ataques dos EUA - e eles apontaram uma inversão estranha. Os que aplaudiram Trump por seu desdém pelas intervenções dos EUA no exterior e sua declaração de campanha de que os EUA "não podem ser o policial do mundo" ficaram horrorizados com os ataques. Em contraste, uma comunidade internacional que muitas vezes via Trump como legítimo representante desta parcela da população deu um passo à frente para declarar seu sólido apoio ao novo presidente dos Estados Unidos.

O presidente francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel - com quem Trump teve relações particularmente frias - disseram que o presidente sírio Bashar al Assad é inteiramente responsável pelo desenvolvimento da situação. O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, concordou e acrescentou que qualquer uso de armas químicas "não pode ficar sem resposta". O ataque químico sírio em uma cidade controlada pelos rebeldes matou mais de 80 pessoas e feriu mais de 500, de acordo com um relatório da Defesa Civil Síria sobre os ataques.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou que seu governo "apoia plenamente a ação limitada e focada dos Estados Unidos para degradar a capacidade do regime de Assad de lançar ataques de armas químicas contra civis inocentes". E o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que seu país apoia a resolução dos EUA. Vale destacar que Trudeau é um notório esquerdista, crítico feroz do movimento da Direita Alternativa que levou Trump ao poder.

O secretário de Defesa do Reino Unido, Michael Fallon, disse à BBC que "apoiamos totalmente o que os americanos fizeram", acrescentando que os ataques eram "limitados e totalmente apropriados". Em compensação, o ex-Embaixador Britânico na Síria, Peter Ford, fez severas críticas ao ataque, afirmando que o Ocidente estava sendo manipulado por extremistas islâmicos.

Com informações da CNN.

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