politica 07/04/2017 às 10:48

Guinada na política interna de Trump ajuda a explicar ataque contra Assad

Presidente fecha com neoconservadores após derrota na reforma do Obamacare e ataque à Síria é primeira medida de nova política.

A política interna dos impérios sempre foi o principal motor de suas políticas externas. Com os Estados Unidos não tem sido diferente. Também não haveria de ser diferente com Donald J. Trump, por mais que o Presidente eleito no ano passado tenha protagonizado a vitória mais exótica já vista pelo establishment em Washington. Entretanto, se na largada de seu governo Trump adotou um tom beligerante, levando Steve Bannon, ex-Presidente do Breitbart, principal figura da chamada Alt-Right (direita alternativa) para o Conselho de Segurança Nacional e peitando os políticos em Washington, agora o que temos é uma guinada absoluta em direção aos neoconservadores, justamente o grupo majoritário do establishment Republicano.

Tudo começou com a derrota de Trump em sua tentativa de reformar o Obamacare. A proposta do Presidente, que foi fragorosamente derrotada na Câmara dos Deputados, foi atacada em todas as frentes. Mesmo o Breitbart do qual Bannon havia sido Presidente chamou o projeto de Obamacare 2.0Trump parece ter entendido o recado do isolamento e resolveu fazer um giro de 180 graus: Bannon foi limado do Conselho de Segurança Nacional e neoconservadores passaram a dar as cartas nas políticas interna e externa.

Vale lembrar que o auge do neoconservadorismo foi atingido na Presidência de George W. Bush. Bush que além de atacar o Afeganistão em resposta ao 11 de Setembro, também invadiu o Iraque, ação que é apontada até hoje pela imensa maioria dos especialistas internacionais como a responsável por criar o Estado Islâmico e desestabilizar de vez todo o Oriente Médio. Isso pra não falar no desencadeamento da crise dos refugiados na Europa.

Não há paralelo para uma reação militar tão rápida dos Estados Unidos. Até mesmo no 11 de setembro, no governo Bush, um mês inteiro se passou entre um ultimato Presidencial ao governo afegão para que desativasse campos terroristas até o início dos bombardeios no Afeganistão, no dia 7 de outubro.

Em 2013, como lembrou com exclusividade este Sul Connection, Assad havia sido inocentado do uso de armas químicas, ação que era imputada aos rebeldes. Ter atacado tão rapidamente e diante de um contexto tão nebuloso parece apontar que Trump atravessou o Rubicão: seu governo agora é uma clássica administração neoconservadora, grupo que volta ao centro do poder oito anos após deixar a Casa Branca com George W. Bush.

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