politica 02/04/2017 às 18:44

Veja repete contra Aécio assassinato de reputação feito contra Ibsen Pinheiro

Em 1993, capa da Revista destruiu a carreira do então Presidente da Câmara dos Deputados. Assim como com Aécio, Veja errou grotescamente.

O ano era 1993. O mês era Novembro. Assim como hoje, o Brasil vivia uma catarse moralizante. Após conquistar o impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992, o país parecia acreditar que tudo era possível. Meses antes, o Congresso havia protagonizado a CPI dos Anões do Orçamento, que terminou com mais políticos caçados. Foi quando em meio à toda esta comoção a revista Veja trouxe uma capa bombástica contra o então Presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro (PMDB).

Tido como político ético e sério, Ibsen era apontado como provável candidato à eleição Presidencial de 1994. O título da capa não deixava dúvidas: "Até tu, Ibsen?", buscava esfregar na cara do político um suposto desvio moral. Assinada pelo diretor da sucursal de Brasília, Luís Costa PInto (apelido: Lula), a matéria informava que uma estranhíssima movimentação de U$ 1 milhão havia ocorrido nas contas de Ibsen. E isso o colocava no centro da Máfia dos Anões do Orçamento, que Ibsen tanto havia lutado para combater.

Ibsen foi cassado. Perdeu o mandato. Ficou fora da vida pública durante longos anos. O político que poderia ter sido Presidente da República foi simplesmente destruído.

11 anos depois da sacanagem, eis que Costa Pinto resolveu aliviar a consciência contando a verdade ao próprio Ibsen: ele e Veja haviam caído em uma armadilha montada por Waldomiro Diniz, então assessor do deputado federal José Dirceu (PT). Em época de hiperinflação, pacotes econômicos consecutivos e mudanças de regras monetárias praticamente diárias, Diniz conseguiu fraudar documentos transformando uma operação de meros U$ 1 mil em U$ 1 milhão. Veja e Costa Pinto já sabiam do equívoco quando a revista estava pronta para ser rodada. Mas ao invés de corrigir a matéria, preferiu encontrar alguém que bancasse a versão fraudulenta. O então deputado Benito Gama topou ajudar a manter a fraude em pé.

Waldomiro Diniz apareceria novamente no governo Lula, pego negociando doações eleitorais com bicheiros do Rio de Janeiro. Diniz, que trabalhava sob a batuta de seu eterno chefe, José Dirceu, gerou o primeiro escândalo do governo Lula, acabou provocando a queda do chefe e o princípio do calvário de Dirceu.

Ibsen Pinheiro demorou todo o período inelegível para se recuperar e voltou à política como um humilde vereador de Porto Alegre em 2004. Atualmente, um dos melhores quadros políticos de sua geração é deputado estadual no Rio de Janeiro. 

Infelizmente para Ibsen, a internet era só um projeto em 1993, mesmo ano em que o protocolo WWW havia sido criado. Sem ter onde se defender, teve sua vida pública destruída.

Que Aécio use todos os canais possíveis, como vem fazendo, a exemplo do Facebook e não permita que um novo assassinato de reputação aconteça. Um belíssimo primeiro passo seria processar a revista. 

Este Sul Connection, defensor incondicional da liberdade de imprensa, considere que este direito sagrado nas democracias não poode ser utilizado para cometer crimes e nem para tentar destruir a reputação de adversários políticos.

CONFIRA A EXPLICAÇÃO DE AÉCIO SOBRE A MATÉRIA DA VEJA:

 

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