politica 23/03/2017 às 15:09

Bolsonaro se omite na votação da terceirização

Liberalismo do deputado fluminense parece ser meramente retórico. Recentemente seu filho votou contra a privatização da CEDAE no Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro e seus defensores mais ardorosos repetem como um mantra que suas posições estatistas teriam ficado para trás. Que os tempos em que subia em caminhão da CUT pra discursar, que pregava o fuzilamento de FHC por ter privatizado estatais brasileiras e que fazia campanha por Ministros da Defesa do PCdoB eram coisa do passado. Agora, Bolsonaro, além de um temível adversário da esquerda, seria também um liberal de carteirinha.
 

O problema é a realidade. Há pouquíssimo tempo, seu filho Flávio, candidato a prefeito do Rio de Janeiro nas eleições do ano passado, se alinhou até com o PSOL para votar contra a privatização da CEDAE, a Companhia de Água e Saneamento do Rio de Janeiro. Os bolsonaretes logo sacaram a desculpa, mais rápido que os mais rápidos saques do velho oeste: era o filho, não era o Jair e se fosse ele, teria votado a favor.
 

Pois bem: eis que na noite desta quarta-feira (22), Jair teve sua chance de provar que é um verdadeiro liberal. O Congresso votou a regulamentação das terceirizações. E eis que Bolsonaro preferiu um caminho mais do que dúbio: simplesmente se absteve.


Parece que o deputado fluminense está com dificuldades para incorporar para além dos discursos esta conversão ao liberalismo. Nióbio, grafeno, bauxita de grau refratário e uma leitura econômica que lembram um mix do general Ernesto Geisel com o livro "As veias abertas da América Latina", do esquerdista Eduardo Galeano parecem ser mais a sua praia.

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