politica 21/03/2017 às 19:47

Gilmar Mendes concorda com o Sul Connection: Janot manipula imprensa e vazamentos

Ministro do STF diz que vazamentos é um eufemismo para um crime e sugere até mesmo anulação de provas vazadas.

Parece que o Ministro Gilmar Ferreira Mendes, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Ministro da Suprema Corte pátria andou lendo este Sul Connection. Há dois dias publicávamos a matéria "Ombudsman da Folha detona cobertura da imprensa manipulada por Janot". Eis que nesta terça-feira (21), Gilmar fez duras críticas ao comportamento da Procuradoria Geral da República, acusando inclusive "chantagem implícia ou explícita" nos vazamentos que tem ocorrido. 

Gilmar também não teve qualquer pudor ao apontar a autoria dos vazamentos: além da Procuradoria Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, Mendes também acusou a Polícia Federal de participar dos pinga-pinga para a imprensa. "Cheguei a propor no final do ano passado o descarte do material vazado, uma espécie de contaminação de provas colhidas licitamente e divulgadas ilicitamente e acho que nós devemos considerar esse aspecto", afirmou Mendes.

Gilmar aproveitou para criticar duramente a imprensa, acomodada com o arranjo das "coletivas em off", classificadas por ele como um novo arranjo na relação entre jornalistas e autoridades. "A novidade trazida pela publicação da ombudsman está na divulgação de um novo instrumento de relacionamento com a imprensa, a entrevista coletiva em off", ressaltou Mendes. De acordo com ele, "a imprensa parece acomodada com esse acordo de traslado de informações".

Por fim, repetindo o quê fez em um passado não tão distante com o Presidente Lula, Gilmar chamou o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, às falas, declarando que a PGR deve explicações ao STF. " As investigações devem por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade", disse. E completou: "Quem não tiver essa noção de que não estão em jogo os personagens que hoje ocupam as funções, mas as instituições, é um irresponsável. Não é digno de ocupar os cargos que porventura está a ocupar".

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