economia 20/03/2017 às 09:20 - Atualizado em 20/03/2017 às 23:28

Em 2 anos de investigação, PF só analisou a carne de UMA empresa

Demais frigoríficos foram analisados através de escutas e depoimentos. Estrago na imagem do setor já é enorme.

Passado o primeiro impacto da divulgação das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal na "Operação Carne Fraca", as informações que começam a vir a tona são cada vez mais preocupantes. E a preocupação não é com a qualidade das carnes vendidas no Brasil, mas sim com os critérios bastante largos adotados pela Polícia Federal em sua investigação. Para se ter uma ideia, em dois anos da investigação que resultou na espalhafatosa Operação, apenas UMA empresa foi investiga: o frigorífico Peccin de Curitiba.


As informações são da Folha de São PauloA matéria é assinada pelas jornalistas Camila Mattoso, de Brasília e Renata Agostini de São Paulo.


Mesmo no caso do Peccin, acusado de adulteração dos produtos, a parte técnica da Operação parece bastante precária. Os Policiais ignoraram, por exemplo, que o uso de miúdos de animal em determinadas proporções é permitido na composição dos embutidos. 


De concreto, até o momento, a PF conseguiu indícios fortes de que havia corrupção de fiscais para a obtenção de certificados que demandam fiscalização. E aqui fica ainda mais nebulosa a investigação: os tais fiscais seriam corrompidos com lotes de produtos dos próprios frigoríficos. É meio estranho que fiscais que acompanham o dia-a-dia das empresas e conhecem suas práticas de produção, aceitassem ser corrompidos justamente através de produtos estragados.


A investigação da PF e sua espalhafatosa divulgação apresenta um outro problema: nem todas as 32 empresas da envolvidas na "Operação Carne Fraca" são suspeitas de vender produtos adulterados. A JBS, por exemplo, foi autuada porque um funcionário da Seara, Flavio Cassou, daria dinheiro e produtos alimentícios para fiscais em troca da expedição de certificados para a venda e exportação de produtos. Detalhe: os produtos exportados sofrem rigorosíssima fiscalização nos países compradores, mesmo após passar por inspeção por aqui.


Já a BRF é acusada de vender frangos com absorção de água maior do que permitida pela lei. Esse problema pode até afetar preço e margens de lucro, mas de maneira alguma afeta decisivamente a qualidade dos produtos.


A Carne Fraca pode ter tido seu nome escolhido por ato falho freudiano: fraca parece ter sido a vontade de ter os holofotes por parte do MPF e da PF.

Notícias Relacionadas