geral 19/03/2017 às 14:02 - Atualizado em 19/03/2017 às 14:29

Ombudsman da Folha detona cobertura da imprensa manipulada por Janot

Paula Cesarino Costa, com 31 anos de casa, conhece bem a Folha e os meandros do jornalismo nacional.

Que Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, vinha manipulando a divulgação das informações da Lava-Jato, não era segredo pra ninguém. A dúvida sempre foi a qual agenda serve Janot. Este Sul Connection chegou a produzir um vídeo apontando 10 motivos para desconfiar da "Lista do Janot"Mas agora, o método veio à luz do dia e torna-se até mesmo afrontoso pelo modo como jornalistas estão se deixando usar para a manipulação da opinião pública.


Em sua última coluna, intitulada "Um jato de água fria", a Ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, 31 anos de jornalismo e de Folha de São Paulo, simplesmente demole a manipulação feita no judiciário pelo MP, com auxílio luxuoso de repórteres de todos os veículos. Paula partiu de uma constatação elementar: o "vazamento" dos nomes na famigerada "lista do Janot" era EXATAMENTE O MESMO em todos os grandes veículos nacionais.


Apuração é que não teria sido. Mas apuração foi o quê a competente Paula fez. E descobriu a manobra: o quê aconteceu foi uma "coletiva em off". O off, historicamente, é um recurso usado eventualmente por jornalistas em coberturas delicadas para proteger a fonte. Em uma relação de confiança, a fonte informa o repórter sob a condição de que seu nome não seja tornado público. Uma prática plenamente justificável em determinados contextos.


Acontece que a "coletiva em off" já é por si uma prática bizarra. Primeiro, parte de um acordo que beira a Omertá dos mafiosos entre a fonte e um grupo grande de jornalistas que em tese deveriam estar concorrendo entre si pela melhor informação. Em seguida, oculta aos olhos do público o autor da informação, ao mesmo tempo que este autor nitidamente está jogando um jogo de poder.


Segundo Paula, o procedimento tem se tornado corriqueiro e está transformando o jornalismo em mero porta-voz de interesses alheios aos dos leitores, que deveriam ser sua maior prioridade.


A ombudsman tentou contato com a direção da Folha, que preferiu o silêncio.


Dá pra continuar acreditando na isenção e na integridade do jornalismo e de Janot?


A cada dia fica mais difícil.

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