politica 20/02/2017 às 08:27

Judiciário precisa se livrar da pecha de pouco confiável, afirma Procurador da Lava-Jato

Para o Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, foro privilegiado e lentidão do STF acabam criando desconfiança sobre todo o sistema.

O procurador Carlo Fernando dos Santos Lima, um dos principais responsáveis pela Operação Lava-Jato e artífice de vários dos acordos de delação premiada que ajudaram a desbaratar a corrupção sistêmica que atinge o sistema político brasileiro concedeu uma longa entrevista ao Estadão. Tratando da delação da Odebrecht, Carlos Fernando foi enfático em sua resposta aos jornalistas Boris Fausto e Ricardo Brandt: ela afeta de A à Z no sistema política, não restando partido nenhum incólume. 


Mas o grande momento de sua entrevista certamente fica por conta da constatação dos problemas do Judiciário brasileiro. Falando sobre o fim do foro privilegiado, uma bandeira defendida pelos membros da Operação, Carlos Fernando afirmou o seguinte: "Precisamos de uma democracia mais eficiente, com certeza, mas também um Judiciário que não tenha contra ele a pecha de pouco confiável".


Para ele, o Foro Privilegiado é anti-republicano e deveria se estender para a toda a população caso ficasse do jeito que está. "Quando se cria o foro privilegiado, a mensagem para a população é que o juiz de primeira instância não é confiável. Se for assim, todos têm o direito de querer foro privilegiado".


O Procurador ainda teme pela lentidão no julgamento do Supremo Tribunal Federal. E usa como parâmetro a demora no julgamento do Mensalão. "O mensalão, que era muito menor, já foi um sacrifício das atividades normais dos ministros do Supremo para julgá-lo. Imagine agora, que os fatos são múltiplos, porque (a corrupção) acontecia na Eletronuclear, acontecia na Eletrobrás, na Caixa Econômica Federal, na Petrobrás, nos fundos de pensão", explica. "E isso vai sendo revelado. Não é um único processo, são dezenas de processos, contra centenas de pessoas. Materialmente é impossível o Supremo dar conta de julgar os processos todos que virão, sem mudanças", sentencia. 


A entrevista de Carlos Fernando dos Santos Lima é mais uma prova do acerto da pauta que os movimentos de rua apresentaram para as manifestações do próximo dia 26 de março. Uma das pautas é justamente o fim dos privilégios no Judiciário e uma maior eficiência do sistema.


Que a mesma força que ajudou a derrubar Dilma Rousseff, possa ajudar a reformar o Sistema Judiciário brasileiro.


A democracia agradece.


A foto que ilustra o post é de Rodolfo Buhrer do Estadão.

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