politica 08/02/2017 às 08:36

Partidos planejam aumento de Fundo. É o fruto da inexistente política por amor

Proibição de doações privadas leva partidos a planejarem gasto de R$ 5 bilhões com Fundo Partidário.

Um dos grandes dramas que o Brasil vive é a aposta constante e repetida em soluções miraculosas. A última e mais doida é a tentativa bizarra de criar algo que nunca se viu em nenhum lugar do planeta: a política de graça, por amor, sem o envolvimento do vil metal, o dinheiro. O resultado já se viu no Orçamento aprovado para este ano: enquanto o governo Temer previu gastar pouco mais de R$ 300 milhões com o Fundo Partidário, o Congresso tratou de jogar a cifra para mais de R$ 800 milhões.


Mas é claro que não acabou. Ainda que quase R$ 1 bilhão para fazer política pareça muito, em um país de proporções continentais como o Brasil não chega a fazer cócegas. Estamos falando de um país com 26 estados mais o Distrito Federal e mais de 5 mil municípios. Como fazer política em todos estes lugares, sem poder pedir ajuda para a iniciativa privada? É óbvio: aumentando ainda mais o Fundo Partidário!


Sendo assim, nos corredores do Congresso já se discute abertamente quintuplicar o valor, fazendo com que chegue na casa dos R$ 5 bilhões anuais. É isso mesmo: o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho, em um momento em que o país enfrenta a mais grave crise de sua história, vai ser usado para que Suas Excelências continuem apregoando suas virtudes e pleiteando novos mandatos.


Precisamos amadurecer. Não existe política de graça. Não existem técnicos independentes. Juízes e Procuradores não são santos pairando acima das paixões. A iniciativa privada precisa do Poder Público para milhões de assuntos diversos e continuará fazendo lobbys, permitidos estes ou não.


Ou aprendemos com democracias maduras, como a americana, que aprenderam a conviver com a zona cinzenta da influência do poder econômico no jogo político, ou seguimos tentando bruxarias como a política sem dinheiro.


Infelizmente, a conta da bruxaria acabará sempre no bolso justamente daqueles que sonhavam com um país puro, livre, íntegro, sério e legal.

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