politica 24/01/2017 às 13:01

Hora de repensar: sistemas de votação informatizados geram crises pelo mundo

Dúvidas sobre resultados e interferência externas vão desde a eleição do Brasil em 2014 até mesmo na eleição de Trump, ano passado.

Quando a eleição de 2014 terminou, eivada de polêmicas, irregularidades e denúncias de fraudes e manipulações, além de um pedido de auditoria na apuração feito pelo PSDB, tudo parecia coisa de república bananeira. De um lado, fanáticos dos sistemas informatizados urravam sua inviolabilidade, contrariando a experiência de qualquer moleque de 10 anos de idade interessado por computadores. De outro, Teóricos da Conspiração juravam que Dias Toffoli e sua estranhíssima apuração à portas fechadas eram a prova cabal da manipulação do resultado.
 

Tudo muda, entretanto, apenas dois anos depois. Desta vez não é uma República Bananeira como o Brasil que vê seu sistema sob suspeita. É a maior potência da história da humanidade, os Estados Unidos da América, que vê os derrotados Democratas acusando os russos de terem atacado seus sistemas para manipular o resultado do pleito. 


Tradicionalmente os Estados Unidos tem utilizado cartões perfurados para realizar a votação. Cartões perfurados são os pré-históricos tataravôs da computação: seu resultado é calculado através de máquinas que leem os furos e geram os resultados. A desvantagem é o seu preenchimento, chato e nada intuitivo. A vantagem é sua absoluta segurança e praticamente nula capacidade de serem fraudados.


Acontece que nos últimos anos diversos estados americanos tem utilizado sistemas alternativos. Incluindo urnas muito parecidas com as nossas bizarras "urnas eletrônicas". O resultado foi uma avalanche de denúncias de fraude feitas pelos derrotados Democratas, acusando Donald Trump de ter sido favorecido por ataques de hackers russos.


A curiosidade é que semana passada o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) conseguiu uma quebra de sigilo na Justiça para rastrear quem eram os responsáveis pela disseminação de boatos contra sua candidatura presidencial em 2014. Sem nenhuma surpresa, descobriu-se que o servidor da estatal cubana Etecsa foi realizado para a atividade. Cuba que tem um histórico de dependência com a Rússia desde a década de 1960 do século passado.


Não estaria na hora de dar um passo atrás e voltarmos à sistemas físicos de votação? Será mais lento, demorará mais a conhecermos o resultado, mas garantiremos que o esperneio dos derrotados terá um fim.


E também conseguiremos diminuir a possibilidade de que grupos poderosos, com grana de sobra para a contratação de hackers, consigam impor sua vontade sobre o conjunto do eleitorado.

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