politica 09/01/2017 às 10:38

Pode ser discreto, mas um novo PSDB já nasceu

* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Os que me acompanham há algum tempo nas redes sociais e em minha atividade jornalística sabem: tenho sido um crítico até mesmo ácido do que se convencionou chamar de "frouxidão" do PSDB desde ao menos as eleições Presidenciais de 2010. O quê seria esta frouxidão? É simples: tucanos prefeririam não expor as ligações do petismo com o Foro de São Paulo, articulação continental totalitária da esquerda, não mostrariam com a firmeza devida sua incompetência e seus crimes e entrariam em eleições cheios de dedos, como se criticar o PT fosse algum tipo de crime. Isso é um fato comprovado, ao menos para as eleições de 2002, 2006 e 2010.


Acontece que desde 2014, este cenário sofreu uma reviravolta impressionante e só não enxerga gente de muita má vontade.


A campanha de Aécio Neves à Presidência em 2014 marca o ponto de virada na postura tucana. Aécio foi o primeiro candidato desde 2002 a ir para TODOS os debates sem medo de apontar os crimes, as falhas, as incompetências do petismo. Como esquecer do histórico momento em que Dilma Rousseff (PT) passou mal ao final do debate no SBT, completamente desnorteada com a surra que levou do tucano? Certamente que foi esta postura a responsável pelo melhor resultado tucano desde 1998, ano da reeleição de FHC.


Desde então, o próprio perfil das lideranças partidárias tem mudado. Alckmin, por exemplo, buscou no empresário, liberal e, por quê não?, direitista João Doria Jr. o seu candidato a prefeito em São Paulo. O derrotado foi um tucano de perfil histórico, Andrea Matarazzo, tradicionalmente ligado ao esquema Serra-FHC e notoriamente um político de centro-esquerda.


São Paulo foi apenas o caso mais vistoso. Os candidatos do PSDB, Brasil afora, nitidamente caminharam para um perfil adequado ao que as ruas tem pedido. Cabe destacar ainda a vitória do tucano Nelson Marchezan Jr. em Porto Alegre, que basicamente alicerçou sua campanha no apoio do Movimento Brasil Livre, o maior dos movimentos responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff. Um impeachment que, vamos combinar, jamais teria ocorrido sem que Aécio houvesse praticamente empatado a eleição de 2014.


Atualmente o PSDB é o principal esteio do governo Temer. Como o próprio FHC já definiu, tal governo é uma pinguela para a transição necessária rumo às eleições de 2018.


Reformas impopulares virão? Certamente. Mais duras do que precisariam ser, se os populistas petistas as tivessem realizado no momento oportuno. Mesmo assim, serão tais reformas que permitirão ao país sair da brutal crise em que Lula e Dilma nos enfiaram.


E quando a espuma da crise política, econômica, ética, moral e social tiver baixado, este novo PSDB que nasce, ainda que discretamente, tem tudo para ser um dos grandes beneficiários políticos.

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