geral 06/01/2017 às 09:03

A doentia insistência contra as prisões

A cada novo problema com presídios, pululam especialistas querendo parar de prender. Beira a sociopatia.

EDUARDO BISOTTO.
DIRETOR DO SUL CONNECTION.


Um dos países mais seguros do mundo é os Estados Unidos da América, a superpotência dominante no Planeta desde os anos 1990. Mesmo desfrutando de ódio irracional por metade de um mundo recalcado e invejoso, alvo de terroristas que tentam infiltrá-lo, de gangues latinas que sonham com a fortuna que a droga pode gerar na América, os Estados Unidos sistematicamente tem conseguido manter a paz e a tranqüilidade em sua sociedade. O segredo? Presídios, MUITOS PRESÍDIOS.


No Brasil, o estado mais seguro segundo todos os estudos disponíveis é São Paulo. A mesma São Paulo que tem a facção criminosa mais poderosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os homicídios no estado mais rico da federação despencaram, as guerras de facções também. O segredo? Presídios, MUITO PRESÍDIOS.


Entretanto, o debate público segue sequestrado por supostos "especialistas" que aparecem a cada tragédia como a ocorrida em Manaus. O problema estaria, segundo estes sábios que curiosamente também prestam serviços para criminosos, em prender menos. O raciocínio seria o de que jovens, coitadinhos, inocentes de tudo, entram na cadeia por vender uma buchinha de maconha e saem com PHD em criminalidade. Pode até parecer um raciocínio elegante, mas é simplesmente mentiroso.


Qualquer um que já tenha subido um moro no Rio de Janeiro ou adentrado em alguma quebrada comandada pelo tráfico em São Paulo conhece a verdade: jovenzinhos de 12 anos já não são inocentes de nada há muito tempo. Andam com fuzis, sub-metralhadoras, rifles. Já conhecem todas as manhas de fugir, enfrentar a Polícia e gerenciar o milionário negócio da droga. Aos 12 anos muitos deles já possuem algumas mortes nas costas. O problema não é prendê-los: é deixá-los soltos, tocando o horror na sociedade.


Esta lógica doentia e mentirosa gera problemas graves ao contaminar uma sociedade ainda majoritariamente influenciada pela mídia mainstream. Em Imaruí, Santa Catarina, o Governo do Estado anunciou há mais de seis anos a construção de um novo Presídio. Aguarda até hoje o desfecho de uma batalha judicial, já que a comunidade local se recusa terminantemente a aceitar a obra. Como podemos querer segurança se nos recusamos a construir Presídios que contenham os marginais?


Reclamar de superlotação e pedir soltura de sociopatas é coisa de socipata. A única postura decente e aceitável para quem é contra a superlotação dos presídios, é justamente a construção de novos presídios.


É preciso entender o óbvio: mais criminosos presos é igual a menos criminosos nas ruas, ameaçando a vida social. É preciso confrontar estes supostos especialistas e parar de aceitar bovinamente o encaminhamento ao abatedouro que eles propõe aos cidadãos de bem.


Ou a sociedade reage e passa a entender estas verdades óbvias sobre Segurança Pública, dando uma banana aos "especialistas", ou seguiremos sendo o país mais violento do mundo entre os que não tem uma Guerra oficialmente em andamento.

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