geral 05/01/2017 às 14:38

Janaína Paschoal: de autora do impeachment à fiscal de privadas

Advogada paulista agora se dedicará a conferir a higiene dos banheiros públicos em São Paulo.

Janaína Paschoal segue surpreendendo. Primeiro foi o ataque de pomba-gira na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Depois, ela garantiu que Putin queria instalar bases na Venezuela para invadir o Brasil. Agora, a advogada paulista, uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), juntamente com o fundador do PT, Hélio Bicudo e o jurista Miguel Reale Júnior entrou em uma nova cruzada: garantir a limpeza e a higiente dos banheiros em São Paulo.


Em entrevista exclusiva ao portal Veja.comPaschoal explicou: "De certa forma, o banheiro tem ligação com o impeachment". Pode fazer sentido. Afinal, quem sabe?


Confira abaixo a íntegra da entrevista de Janaína Paschoal ao portal da Veja.


Por que tomou essa iniciativa?


Neste último domingo, eu fui até o parque andar de bicicleta e precisei ir ao banheiro. Quando entrei, vi uma mãe tentando fazer a filha usar o local, mas a menina se recusava. Estava tudo tão sujo, tão largado, os cestos de lixo transbordando, o chão e as pias sujas também. A menininha estava até com ânsia de ficar naquele lugar. Eu fiquei tão indignada e falei: ‘Ah, não, eu vou começar a fiscalizar esses banheiros’. Isso é absurdo. Eu gosto muito do parque e percebi que no início do ano estava rolando uma limpeza, mas foi passar o período eleitoral e pararam de limpar regularmente. Eu sou super aficionada com limpeza e, já que frequento o parque, passarei a assumir essa responsabilidade como cidadã. O brasileiro sempre espera que alguém tome uma iniciativa, que alguém faça alguma coisa.


Fiscalizará eventualmente outros banheiros de outros parques?


Essa fiscalização é voluntária e esporádica no Ibirapuera. Tenho meus compromissos como advogada no meu escritório e como professora da Universidade de São Paulo (USP). Isso que me propus a fazer é como cidadã.


Contará o dia a dia desse trabalho no Twitter?


Com certeza. Quando eu encontrar situações absurdas como neste último domingo, certamente relatarei no Twitter. Pretendo passar isso para a prefeitura também. Não tem como um banheiro público ser como o banheiro da nossa casa, mas é importante estar minimamente limpo.


Como você recebeu as críticas que surgiram após a sua declaração? Muitos usuários do Twitter fizeram piadas e criaram memes.


Vi algumas pessoas dizendo no Twitter “Você é mesmo uma fiscal de merda”. Esse tipo de comentário mostra o quanto a pessoa vê com desprezo um trabalho fundamental que é a manutenção e a limpeza dos locais públicos. As pessoas deixam de perceber que também podem ter um papel nisso, isso é parceira com poder público. Não é demérito nenhum, é virtude.


O prefeito João Doria (PSDB) já procurou a senhora?


Ele me ligou ontem à noite e foi muito engraçado. Ficou sabendo dessa história e pediu para passar fotos dos banheiros para ele. Eu o avisei que iria ao parque nesta manhã e já encaminhei as dos banheiros. O prefeito até falou brincando sobre fazer uma nomeação, eu agradeci, mas eu não gosto dessas formalidades e o meu trabalho será de cidadã para mostrar que os cargos não são tão essenciais assim, esse será um trabalho voluntário. O trabalho voluntário é muito desvalorizado por essa mentalidade esquerdista de que quem faz isso é ‘dondoca’.


A senhora aprova o projeto “Cidade Linda” do governo Doria? Como avalia a atitude do prefeito de se vestir de gari no primeiro dia do governo?


Eu achei isso excelente e espero que ele dê seguimento a isso. Isso é a valorização do trabalho braçal. O brasileiro ainda está muito atrasado ao desvalorizar esse tipo de trabalho. Valorizar não é simplesmente pagar. Ao elogiar, mostrar a importância daqueles trabalhadores, também está valorizando. Quando o prefeito desce do pedestal, veste um uniforme de gari e sai fazendo a varrição da cidade, ele está dando um exemplo.


Por fim, à luz de janeiro de 2017, o impeachment tem se mostrado uma boa solução para o país?


Em nenhum momento falei que, tirando a presidente, os problemas políticos e econômicos do país estariam resolvidos. Muito pelo contrário, depois que levantei esse processo, muitos outros problemas surgiram. O intuito não foi tirar a presidente para acalmar os ânimos, foi tirá-la para que outros escândalos viessem à tona, afinal todos estavam se protegendo. Quando se tira a autoridade central, eles começam a se acusar e, com isso, temos chances de ver uma realidade que estava acobertada. De certa maneira, o banheiro tem ligação com o impeachment, por que mostramos que as coisas não podem continuar do jeito que estão. O impeachment foi uma chacoalhada para colocar um fim nesse conformismo.

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