politica 04/01/2017 às 20:18

Para Cesar Maia, Temer repetirá Itamar Franco

Ex-prefeito do Rio de Janeiro e politólogo respeitado, Maia avalia que recuperação de popularidade virá ao final do mandato.

Cesar Maia já deu uma entrevista recente deixando claro: a aliança dos Democratas é com o PMDB, não mais com o PSDB. Não é difícil entender. O filho de Cesar, Rodrigo, atual Presidente da Câmar dos Deputados, é genro de Moreira Franco, Secretário de Parcerias de Investimentos do governo Temer. Moreira Franco é um dos mais íntimos aliados do Presidente Michel Temer.


Leve-se isso em conta ao deparar-se com a análise de conjuntura que Cesar Maia desenha. Entretanto, é impossível ignorar que Maia é um dos politólogos e analistas mais competentes em atividade no país. Seu diagnóstico sobre Temer é simples e direto: o Presidente repetirá a trajetória de Itamar Franco e de uma profunda impopularidade emergirá uma Presidência altamente aprovada ao término do mandato.]


Itamar abriu seu mandato com uma boa avaliação, dada pela expectativa de mudanças após o furacão Fernando Collor. Entretanto, logo viu a aprovação minguar, até chegar a míseros 13% (Temer hoje possui 14% de aprovação). "A reversão desse quadro com o Plano Real - um ano e meio depois - mudou tudo. Essa vai ser também a trajetória de Temer", afirma Maia.


Sua avaliação é baseada na competência da equipe econômica e na recuperação da economia nacional entre o último trimestre de 2017 e o primeiro trimestre de 2018.


MAIA ALERTA: ESQUERDA NÃO ESTÁ MORTA


Ligado à esquerda no início de sua carreira política - foi do PCB e do PDT de Leonel Brizola - o político carioca também considera que a atual recessão tem origem na crise financeira internacional de 2008 e nos remédios encontrados pelos governos petistas de Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva.


"Aqui a resposta foi um keynesianismo de consumo com reduções tributárias e ativação da demanda. Lula achou que era uma marolinha. O resultado foi a desintegração fiscal, a perda de competitividade da economia e o retorno da inflação. A eleição de 2014 completou este quadro: valeu tudo para ganhá-la", aponta.


Em sua opinião, porém, a desidratação do PT e de legendas do mesmo campo ideológico nas eleições municipais não significa que a esquerda esteja morta para a corrida presidencial em 2018. "Não me arriscaria a dizer isso. Há um espaço aberto para a antipolítica e o populismo de esquerda", diz.

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