politica 04/01/2017 às 17:03 - Atualizado em 04/01/2017 às 17:21

O massacre de Manaus é fruto de uma guerra continental do narcotráfico

* Opinião. Márcia Sedoski.

Resumir o massacre de Manaus aos discursinhos imbecis de esquerda e de direita é a maior idiotice que o brasileiro pode fazer, pois a coisa é muito mais séria do que se discute nessas conversas binárias.


A treta entre o PCC (Primeiro comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) começou em junho do ano passado com a morte de Jorge Rafaat em Pedro Juan Cabalero, orquestrada pelas duas facções. A morte de Rafaat (procure na internet) é digna de filme hollywoodiano.


Jorge Rafaat Toumani, respeitável empresário, 56 anos, era o “Rei da Fronteira”, o mais poderoso traficante de Pedro Juan Caballero, na divisa do Paraguai com o Brasil. Também era conhecido como Sadam. Ele fornecia maconha por atacado para as maiores facções criminosas brasileiras, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Há pouco mais de um ano, no entanto, houve um desentendimento comercial entre os grupos.


O vácuo de poder que surgiu com essa morte acabou criando o que se chama de Narcosul.


Ocorre que o PCC não "honrou" os acordos do Narcosul, então o CV se une a essa facção do norte para assumir o poder.


A degeneração ética criada no país em governos promíscuos deu espaço para toda essa engenharia criminosa de facções ultraviolentas que duplicaram seu poder. Falam em investigar, fazer auditorias. 


Concordo!


Mas, pra isso, há de contar com uma inteligência policial que, a curto prazo, não ouviremos falar, já que o poder de fogo dessas facções, deixam o Estado Islâmico no chinelo.


Pra se ter uma ideia a arma que matou Rafaat (que saiu do RJ) era uma metralhadora norte-americana M240MAG, calibre 50 milímetros, arma de guerra usada como anticarro e antiaérea. Cerca de 120 tiros atingiram o veículo blindado de Rafaat, que morreu na hora. No mercado negro essa metralhadora custa U$ 150 mil.


Portanto, o que deve nos assustar é que não estamos lidando com ladrões de potes de margarina ou de excluídos sociais, mas de gente ultraviolenta admitida nos comandos narcoterroristas por possuírem currículos de sociopatias graves.


A demonização generalizada que se faz da polícia e o cancro da corrupção, criou o vácuo que dá poder ilimitado aos narcotraficantes.
Eu me vejo, depois de tudo que vi sobre esse massacre e o poder silencioso do tráfico, como naquele filme "Traffic", só que do lado mexicano, filmado em sépia, onde há muita gente desocupada e o crime, o narcoterrorismo e a corrupção correndo soltos.


É muito grave o que está acontecendo.

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