politica 19/12/2016 às 18:43

Ao recusar o confronto, Temer optou pela impopularidade

* Eric Balbinus é coordenador do MBL e autor do blog O Reacionário

Hoje vem a notícia de que Temer e equipe ainda não decidiram se o presidente vai fazer um pronunciamento a nação para fazer um balanço de seu mandato, ou se irá optar por um café com jornalistas. A equipe está rachada porque parte teme panelaços. Faz sentido: o presidente nunca esteve tão impopular.

Mas, como Temer chegou aos incríveis 46% de ruim ou péssimo?

Começou quando se cercou de nomes suspeitos para a formação de seu ministério. Ainda que se compreenda a escolha de Romero Jucá, articulador hábil e operoso, o presidente poderia ter escolhido outros nomes. É perfeitamente possível utilizar os préstimos de aliados como Jucá sem abriga-los como ministros de estado. Mas Temer preferiu apostar.

Depois vieram os recuos. Inúmeros. O primeiro foi a ressurreição do Ministério da Cultura, um episódio vergonhoso que explica a ruína e deterioração de Temer. O sujeito resolveu extinguir o MinC, fazendo uma fusão arrojada com o Ministério da educação. Bastou algumas invasões e protestos de artistas para que ele voltasse atrás. Ali o presidente perdeu o respeito. Se artistas plásticos, músicos, atores e gente que sequer sem expressão consegue forçar um governo a restaurar um ministério, significa que temos uma biruta de aeroporto instalada na presidência da República.

Ah, isso custou caro a Temer. O escolhido para a Secretaria da Cultura virou ministro. Ligado ao PMDB de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, Marcelo Calero quase deu um tiro de misericórdia em Temer com aquele episódio das gravações de Geddel Viera Lima. E no fim, não havia nada. Por ter medo daqueles arremedos de seres humanos que se intitulam artistas, Temer quase perdeu seu mandato. O presidente praticamente cedeu sua cabeça em uma bandeja para a extrema-esquerda, que vendeu sua narrativa até para grupos de Direita.

Agora estamos aqui. Um presidente quase moribundo ainda não sabe se irá fazer no final do ano o que deveria ter feito no início do mandato, que era apresentar aos brasileiros a radiografia do país. Temer e sua equipe ainda não decidiram se vão mostrar como a criminosa Dilma Rousseff deixou o país. Foi isso que ele fez desde que assumiu, que é tergiversar sobre suas ações. Decidiu manter os convênios do Ministério das Cidades, mas Guilherme Boulos não tergiversou em suas contínuas práticas terroristas. Porque é assim que funciona. Aquele princípio que norteia a conduta do agente Jack Bauer não foi respeitado por Temer, que acho que é possível qualquer conciliação com terroristas. Que agora termina o ano de forma melancólica, rejeitado pelas ruas e responsabilizado por seus erros e pela herança maldita de Dilma.

Que morte horrível.

Notícias Relacionadas