politica 16/12/2016 às 12:36

Alckmin cada vez mais próximo do PSB

Governador paulista deixa claro que considera recondução de Aécio à Presidência do PSDB um golpe. Divórcio no tucanato parece iminente.

O PSDB vem lidando desde 2002 com uma verdadeira fogueira das vaidades: na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, os nomes de José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves já se viram dividindo as atenções com o falecido Ministro da Educação Paulo Renato de Souza e o hoje senador Tasso Jereissatti. Ao final do processo, fragmentado graças ao câncer do ex-governador de São Paulo, Mário Covas, abatido pela doença quando seria o candidato natural, Serra acabou se impondo, deixando Aécio e Alckmin na fila.


Alckmin foi reeleito governador de São Paulo, Aécio elegeu-se pela primeira vez governador de Minas Gerais e Serra foi derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial. Em 2006, Serra era o candidato óbvio, inclusive pelo recall, mas na undécima hora acabou desistindo em favor de Alckmin e indo disputar o governo de São Paulo. Aécio reelegeu-se em Minas, Serra foi eleito em São Paulo e Alckmin, tal e qual Serrra, perdeu a eleição no segundo turno. O processo interno, cheio de manhas, acabou resolvido em um jantar chiquérrimo no Fasano, no qual FHC atuou como árbitro, emplacou Serra e acabou vendo-o desistir da candidatura na primeira hora da manhã seguinte.


Em 2010, nova inversão entre Serra e Alckmin, com o governador de São Paulo disputando e perdendo a Presidência contra Dilma enquanto Alckmin voltava para o comando do executivo paulista. Governador reeleito consagradoramente em Minas, Aécio teve de se contentar com uma vaga no Senado.


Em 2014, finalmente a hegemonia paulista nas candidaturas do PSDB é quebrada, com Aécio disputando a Presidência e praticamente empatando a corrida no segundo turno. 


Entre todas estas disputas, traições e mágoas vão se acumulando. Aécio foi acusado tanto por Serra quanto por Alckmin de traí-los em 2002, 2006 e 2010, não fazendo o menor esforço para melhorar suas votações na nevrálgica Minas Gerais. Aécio inclusive tolerou e incentivou movimentos políticos exóticos como o Lulécio (Lula pra Presidência e Aécio pra governador) e depois o Dilmasia (Dilma pra Presidente e Anastasia governador). Isso sem contar a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, que elgeu Márcio Lacerda do PSB em 2008 com apoio do PT e do PSDB mineiros. Em favor de Aécio pode se dizer que ele próprio levou uma sova na eleição de 2014, perdendo tanto o primeiro quanto o segundo turno da eleição presidencial de 2014.


Com todas estas mágoas e este cenário ultracomplexo, 2018 apresenta-se como uma sucessão completamente aberta. Se Lula e Bolsonaro aparecem na largada como favoritos, por outro lado a corrida apresenta-se alvissareira para qualquer um que consiga se posicionar adequadamente. Não a toa, Alckmin, Serra, Aécio e mais uma penca de outros políticos posicionam-se como pré-candidatos Presidenciais.


Ontem, Aécio Neves foi reconduzido à Presidência do PSDB. Uma recondução que não deixou Alckmin nem um pouco feliz. Em off, o governador paulista fez questão de deixar claro para a coluna Painel da Folha de São Paulo que considerou a decisão como um "golpe branco" e uma "expulsão branca" de seu grupo. 


Alckmin vem costurando há tempos uma possível ida para o PSB. Desde a morte de Eduardo Campos, os socialistas tornaram-se órfãos de uma grande liderança nacional. Alckmin ocuparia este espaço tranqüilamente. Ainda mais que seu vice, Márcio França, é uma das maiores, se não a maior liderança do PSB neste momento e deve ser o candidato apoiado por Alckmin à sua sucessão.


As eleições de 2018 prometem ser emocionantes.

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