politica 15/12/2016 às 20:49

Abuso de autoridade: golpe da República do Cangaço foi abortado por Aécio

Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou velho método para constranger adversários. Acabou derrotado.

EDUARDO BISOTTO.
DIRETOR DO SUL CONNECTION.


O Senado da República, definitivamente, não é para amadores. Basta notar a diferença entre a atuação do senador Romário (PSB-RJ) entre o tempo em que esteve na Câmara dos Deputados e sua atuação desde que chegou ao Senado. Se na Câmara Romário conseguia brilhar com múltiplos temas, inclusive peitando as estruturas de poder do futebol brasileiro, no Senado tornou-se uma figura menor, apagada, seguidas vezes enquadrado por colegas mais experientes. 


Neste espaço de profissionais, destaca-se o Senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Homem público experiente, dono de múltiplos mandatos, quatro vezes Presidente do Senado com apenas 62 anos, Calheiros é o protótipo do profissional na política. Entretanto, tal profissionalismo não impediu que seus métodos truculentos o tornassem conhecido nos corredores como cangaceiro do Senado. O epíteto já foi até mesmo utilizado pelo senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE) em bate-boca com Renan no plenário do Senado.


Renan já disse da cadeira da Presidência que havia protegido Cristóvam Buarque (PPS-DF) da acusação de Caixa 2 na eleição de 2006. Como Calheiros o protejeu? Sentando em cima de um dossiê que teria recebido sobre o assunto. E a história foi relatada pelo próprio durante bate-boca com Buarque. Renan já cobrou Gleisi Hoffmann (PT-PR) de evitar que ela fosse indiciada na Lava-Jato, em uma articulação que teria feito junto ao Supremo. Mais uma vez: foi o próprio Calheiros quem relatou o fato da cadeira da Presidência, novamente durante um bate-boca.


Foi este mesmo Renan Calheiros, conhecido por seus métodos, que tentou empurrar goela abaixo a Lei do Abuso de Autoridade. Se a Lei é necessária, e certamente o é, o momento evidentemente não poderia ser pior para discuti-la. Fica parecendo muito claro que é retaliação contra a Operação Lava-Jato. Com um país semi-conflagrado, não parece uma atitude lá muito inteligente cutucar a onça com a vara curta. 


Como Renan fez sua operação? Simples. O projeto original da Lei de Abuso de Autoridade foi apresentado pelo ex-Ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, Nelson Jobim, no já distante ano de 1997. Renan pautou este projeto em Regime de Urgência. O truque era claríssimo: constranger e emparedar os tucanos para que votassem favoráveis ao projeto, dividindo com eles o ônus junto à opinião pública.


Deu errado porque o Presidente Nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, conseguiu articular junto ao senador Ronaldo Caiado (DEM-RJ) uma lista com assinaturas suficientes para a retirada do Regime de Urgência do projeto.


Aécio seguidamente recebe críticas porque não teria uma atuação suficientemente contundente no Senado. Acontece que aquele definitivamente não é um espaço para amadores histriônicos. Seu modus operandi evitou que o tal projeto passasse em regime de urgência, o quê certamente traria impactos diretos na Operação Lava-Jato.


Se conseguir comunicar melhor para a opinião pública o excelente trabalho que vem fazendo na Casa Alta do Parlamento, Aécio tem tudo para recuperar facilmente os milhões de votos que teve nas eleições de 2014 e se viabilizar como o candidato tucano á Presidência em 2018.


Enquanto isso, sua atuação seguirá sendo importantíssima para conter a República do Cangaço. O caminho até 2018 promete ser cheio de solavancos.

Notícias Relacionadas