economia 15/12/2016 às 20:22

Frustrante: pacote econômico de Temer não sinaliza recuperação no curto prazo

Equipe econômica aposta em série de medidas microeconômicas que devem surtir efeito apenas no médio prazo.

Já são quatro anos de recessão e uma economia que está claramente em depressão profunda. Não é a toa que a popularidade do Presidente Michel Temer (PMDB) é tão baixa. Ainda que tenha herdado este cenário catastrófico da era petista, espera-se claramente que Temer sinalize para a recuperação. Foi neste sentido que o Presidente e sua equipe econômica, capitaneada pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), apresentaram com pompas e circunstâncias um amplo pacote hoje. Entretanto, se Temer falou muito em recuperação do crescimento, na prática o que se viram foram uma série de medidas microeconômicas que não repercutirão no curto prazo.


Tudo que foi apresentado aponta no sentido da desburocratização das relações de negócios, como por exemplo uma agilidade maior na restituição dos pagamentos nos cartões de crédito e o fim da exclusividade de bandeira das máquinas de cartão, uma tímida melhoria nas questões trabalhistas, com redução da multa do FGTS em caso de demissões sem justa causa, a implantação da Nota Fiscal Eletrônica em território nacional, tímidas melhorias burocráticas para agilizar a importação e a exportação e a promessa de facilidades na obtenção de crédito junto ao BNDES.


A situação política de Temer é delicada. Emparedado pelo mercado, por um Congresso comandato pelo PMDB de Renan Calheiros e pelo Centrão e sem qualquer popularidade, seu prazo vai esgotando.


Caso estas medidas não apontem uma recuperação imediata, e sua lógica é não apontar para isso, Temer pode entrar na UTI política muito em breve.

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