politica 12/12/2016 às 14:18

Datafolha com clorofila é reflexo direto da Lava-Jato

Marina Silva como líder dos cenários de Segundo Turno é facilmente explicável pelo clima anti-política que tomou conta do país.

A Operação Lava-Jato consumou algo que já vinha se desenhando desde as manifestações de 2013: a Nova República morreuO problema foi que o sistema foi inteiro para o vinagre sem que nada de novo estivesse pronto para assumir em seu lugar. Sendo assim, o que restou e o que vivemos no momento é o estado primordial da natureza: o caos. E é justamente este caos e o clima anti-política que tomou conta do país que explica o resultado do mais recente Datafolha, banhado à clorofila.


Maria Osmarina Silva, a fadinha do Acre, aparece como líder em todos os cenários de segundo turno. No primeiro turno, uma surpresa para aqueles que não entendem a vida como ela é: Luís Inácio "será preso amanhã" Lula da Silva é líder absoluto, sempre na casa dos 25%.


O resultado é lógico para qualquer um que acompanhe a política brasileira com um mínimo de desprendimento. Lula e o PT, gostemos ou não, são donos de um patrimônio eleitoral consolidado na casa dos 30% dos votos. Não dá pra ganhar a eleição, é certo, como aliás mostraram os pleitos de 1989, 1994 e 1998. Mas é mais do que suficiente para ir para o segundo turno, ainda mais uma eleição altamente polarizada como a que se desenha para 2018.


Já Marina herda os votos da anti-política, fenômeno que vem sendo amplamente alimentado com o que vai se revelando na Operação Lava-Jato. É claro que é muito beneficiada pelo recall das duas últimas disputas presidenciais. Se vai manter este patamar ou vai derreter, como aliás ocorreu em 2014, quando chegou a liderar a disputa no primeiro turno logo após a trágica morte de Eduardo Campos (PSB), são outros quinhentos.


Ou o establishment busca uma saída pactuada, com um líder com um mínimo de credibilidade, ou 2018 vai ser a disputa entre Lula e um outsider. Seja Marina, seja Bolsonaro ou qualquer outro que consiga dar vazão à frustração nacional com a política.

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