politica 12/12/2016 às 11:25

O fim da Nova República e a necessidade de um novo pacto

Modelo costurado por Tancredo Neves para a transição do regime militar à democracia acabou. Quem se habilita a encaminhar a transição?

EDUARDO BISOTTO
DIRETOR DO SUL CONNECTION


Em 1985 o Regime Militar conhecia o seu final. Na engenharia política mais bem sucedida nas transições do continente, que saía de uma seqüência de ditaduras militares para a democracia, a velha raposa mineira Tancredo de Almeida Neves conseguiu o inimaginável: junto da extrema-direita à extrema-esquerda, com uma hegemonia inconteste do centro e devolveu o poder aos civis. Sem revanchismo, garantindo a anistia, sem caça às bruxas e sem qualquer derramamento de sangue. Uma obra de arte nível Leonardo Da Vinci.


Passados 31 anos, o prédio erigido por Tancredo, batizado pelo próprio de Nova República, ruiu por desgaste de material. As duas pilastras mestras da Nova República, que garantiram a transição, eram a aceitação tácita de uma taxa de corrupção média, socialmente aceitável, aliada à uma política econômica populista, que se de um lado gerava inflação, de outro ajudava a repartir o bolo desde o topo da pirâmide social até sua base. Estes dois pilares, na seqüência fortalecidos enormemente pela estabilidade econômica gerada pelo Plano Real, foram demolidoos por cupins petistas.


Lula, a partir de 2008, retomou o populismo econômico da era Sarney. Desde 2003, já tinha elevado a enésima potência aquela corrupção média socialmente aceitável que havia sido pactuada pela Nova República. Não é a toa que velhos inquilinos da Nova República em Brasília viviam se queixando pelos cantos de que o petismo vinha exagerando na dose. Parafraseando o filme Tropa de Elite, o PT estava acabando com o negócio de muita gente ao exagerar na dose.


O enterro final da Nova República veio sob Dilma Rousseff. Economista porra-louca, administradora inepta, personalidade irascível, sem qualquer capacidade política, juntou populismo em doses cavalares com a maior corrupção já praticada no aparelho estatal em qualquer quadrante do Universo. O resultado foi promover um Juiz de Primeira Instância e seus Procuradores ao posto de Demiurgos.


A economia nacional está em frangalhos. Dois de seus principais setores, a cadeia do gás e do petróleo e a construção civil pesada, encontram-se absolutamente paralisados pela Lava-Jato. Listas e mais listas, delações e mais delações, amarraram por completo as mãos dos agentes políticos. O Brasil mal consegue respirar sem pedir autorização à Sérgio Moro e aos Moroboys. É necessário virar a página e recomeçar. 


O problema é que em 1985 tínhamos Tancredo Neves, José Sarney, Ulysses Guimarães, ACM, Jorge Bornhausen, Marco Maciel, Leitão de Abreu, Leônidas Pires Gonçalves, Leonel Brizola, Luís Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso. Agora sobra quem?


Temer não mostrou-se à altura da tarefa que recebeu. Parece pensar que conjugar verbos corretamente e saber usar próclises, ênclises e mesóclises seja o suficiente para Presidir a República. É claro que depois de Dilma parece um grande avanço. Mas está longe de ser o suficiente para devolver o Brasil aos trilhos.


É hora de uma liderança que tenha coragem. Que tenha princípios firmes e ao mesmo tempo capacidade de negociação. Que consiga frear os Torquemadas e apontar para o futuro.


E aí? Alguém se habilita?

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