politica 09/12/2016 às 14:08

Odebrecht entrega Alckmin. Sobrará alguém?

Se a delação apresentar elementos de prova sólidos, vai ser difícil arrumarmos candidatos em 2018.

Quem quer que já tenha feito política no Brasil, ao menos até 2012, sabe que os tais caixas de campanha nunca respeitaram a burocracia. Se um candidato declarava, por exemplo, que tinha gasto R$ 1 milhão em sua eleição, podia se ter certeza absoluta: tinha sido no mínimo R$ 3 milhões. Os motivos sempre foram basicamente culturais.


O Estado brasileiro é gigante. Nenhum grande negócio vive sem o Estado. Ainda que o dono de determinada empresa simpatize com dado político ou partido, não gostaria de correr o risco de se ver exposto em caso de derrota. E assim, o Caixa 2 sempre foi a principal forma de financiamento. Todo mundo sabia de todo mundo. Todo mundo sabia, pela vivência no dia-a-dia, inclusive quem eram os principais investidores nestes Caixa 2. E ninguém denunciava ninguém, num esquema de proteção mútua não oficializado.


A Odebrecht, especialmente, se tornou a principal fonte do Caixa 2 nacional desde os anos 2000. Para gregos e coreanos, como diria o filósofo e pensador Kleber Bambam. Não surpreende que sua delação seja chamada de "a delação do fim do mundo". É isso mesmo. Todos os partidos (com alguma relevância) levaram. Todos os políticos participaram.


Sendo assim, a grande pergunta é: quem sobra em 2018? Provavelmente, do atual esquema de poder inaugurado a partir da Nova República em 1985, não sobrará ninguém.


Será divertido acompanhar uma eleição com Zé Maria do PSTU, Rui Costa Pimenta do PCO, Jair Bolsonaro (em algum partido) e Roberto Justus (no PRJ), disputando a sério o pleito.


Em tempo: não tá na hora de chamar os Orleans e Bragança de novo e recomeçar do zero?

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