politica 09/12/2016 às 13:45

Cuspegate: premeditação foi bobagem dos Bolsonaro

Willys deveria ter sido levado ao Conselho de Ética apenas pelo ato, não por premeditação. Bolsonaros saem desmoralizados.

EDUARDO BISOTTO.
DIRETOR DO SUL CONNECTION.


Jean Willys é um ex-BBB, ex-repórter de programa de entretenimento e atual Deputado Federal. Eleito com pouco mais de 13 mil votos em 2010, na carona do colega Chico Alencar (PSOL-RJ), achou um filão para crescer e aumentar sua fama: polarizar com o deputado Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ) na Câmara. Deu certo porque Bolsonaro aceitou com prazer o papel de fazer escada para o ex-BBB. E então, Willys foi reeleito em 2014 com 144.770 votos, o sétimo mais votado. Bolsonaro ajudou o caricato parlamentar a multiplicar por 10 sua votação.


A animosidade entre escada e escalante chegou ao ápice no processo de impeachment. Na hora de votar contra o impedimento de Dilma Rousseff (PT), Willys avançou em direção a Bolsonaro e cuspiu nele. Ato mais do que suficiente para um processo seguido de cassação. Mas eis que os Bolsonaro resolveram mostrar que não são mera escada para Willys crescer e trazendo à baila algo que não vinha ao caso, uma suposta premeditação, acabaram dando ao ex-BBB a chance de escapar da perda do mandato.


Logo após o episódio, o deputado federal e Policial Federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) publicou em suas redes sociais um vídeo com uma suposta leitura labial em que Willys estaria premeditando a cusparada. Segundo a brilhante leitura de Eduardo Bolsonaro, Willys estaria dizendo "eu vou cuspir nele, Chico". Eis que a Polícia Civil do Distrito Federal acabou seu lado e concluiu: o vídeo foi gravado APÓS a cusparada e Willys diz: "Eu cuspi nele, Chico". 


O parlamento brasileiro poderia ter tido um lucro enorme com a cassação de Willys. Se tornaria um lugar mais decente e um pouco mais respeitoso. Com a bobagem enorme feita por Eduardo e endossada por seu pai, Jair, na representação ao Conselho, Willys seguirá por lá. E já chega a cogitar representar Bolsonaro no mesmíssimo Conselho de Ética por tentar usar uma fraude como prova.


Não basta ser anti-petista. É preciso não ser burro. Episódio lamentável.

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