politica 08/12/2016 às 19:35

A posição deste Sul Connection sobre Renan Calheiros

* Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.

Nos últimos dias uma seqüência de postagens de nosso editor, Guilherme Macalossi, tem gerado alguma confusão em relação à posição que este Sul Connection mantém em relação ao Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Por isso, eu, Eduardo Bisotto, diretor do site, resolvi esclarecer o tema. Diferentemente da grande mídia, que tem se acostumado a tratar seus leitores como meros brinquedos com os quais busca realizar uma engenharia social, tratamos nossos leitores como nosso maior patrimônio.


Primeiramente, cabe ressaltar que este Sul Connection, desde seu início, tem se pautado pela pluralidade. Já publicamos textos com os quais o site discordava, desde que pautados pela boa-fé e pela seriedade. Mesmo internamente já divergimos. Na eleição presidencial americana, por exemplo, eu optei por considerar instrumentos que sempre acertaram, como as pesquisas e seus agregadores na hora de analisar os resultados. 


Um bom exemplo foi a publicação de meu artigo, "Hillary ou Trump? Quem diz que há um favorito para vencer não passa de um torcedor". Utilizando os dados dos institutos de pesquisa e de agregadores como Real Clear Politics e Nate Silver, mostrei que Hillary tinha dois pontos de vantagem sobre Trump no voto popular (a propósito: esta número está correto quase que EXATAMENTE ao término da apuração) e que isso tendia a se refletir no Colégio Eleitoral. Entrementes, nosso editor Guilherme Macalossi trouxe uma série de análises igualmente respeitáveis que levavam em consideração variáveis diversas e que apontavam para uma vitória folgada de Trump. 


Usei o exemplo para deixar bem claro: não temos qualquer problema com a divergência no site. Desde que pautada pela análise séria. 


No caso de Renan Calheiros, Guilherme Macalossi tem se pautado por uma análise técnica do ponto de vista do Direito Constitucional: ele entende que a liminar de Marco Aurélio teria ferido a Constituição. Entretanto, cabe ressaltar e é bom que deixemos claro: outros analistas do Direito Constitucional entendem diferente. E eu, particularmente, também não concordo com este ponto de vista.


A sessão do Supremo de ontem que manteve Renan na Presidência do Senado (e em conseqüência do Congresso Nacional), ao mesmo tempo em que o tirou da linha sucessória da Presidência da República, criou uma jabuticaba constitucional sem precedentes. Não há país no Universo Conhecido, exceto ditaduras e Monarquias em que um Poder valha mais do que o outro. Como bem tem apontado o professor Bolívar Lamounier em seu Facebook, foi justamente isso que a decisão do STF fez. Ela entendeu que o Congresso pode ser presidido por qualquer um, inclusive um réu, enquanto a Presidência da República só pode ser ocupada por cidadãos com fichas impecáveis. A Presidência da República virou um Poder de primeiríssima categoria, enquanto o Legislativo foi reduzido a poder de segunda classe.


Renan Calheiros, como é sabido por todos, não tem ostentado currículo recentemente: está muito mais para ficha corrida. Os inquéritos contra si no Supremo Tribunal Federal vão se multiplicando numa velocidade assustadora, enquanto ele segue como um condenstável da República. Fomos o primeiro veículo nacional a alertar para o caos que Renan havia instituído na Polícia Legislativa, meses antes que a casa finalmente caísse, com seu diretor e vários agentes sendo presos.


Renan é uma figura perniciosa de nossa política e o país respirará aliviado quando ele finalmente deixar a Presidência do Senado em fevereiro do próximo ano. Quanto a isso, não tenho a menor dúvida, tanto eu quanto Macalossi, assim como os demais membros da equipe, estamos de pleno acordo.


Que uma divergência de caráter técnico-jurídico não nuble o principal: este Sul Connection espera que Renan se vá o quanto antes. E que novos Renans não surjam no horizonte político do país.


Ainda que Macalossi esteja certo em sua análise constitucional, o erro de Marco Aurélio não alterará a lamentável biografia de Renan e sua atuação recente.

Notícias Relacionadas